Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 24/05/2021
Em estudo publicado pela editora Contexto no ano de 2015, o sociólogo José de Souza Martins, após minucioso trabalho de pesquisa, revelou que, no Brasil, os linchamentos físicos geralmente se dão em resposta a crimes de que o linchado é suspeito de ter praticado contra algum membro da comunidade. Com efeito, os linchamentos virtuais têm em sua origem, não crimes praticados pelo linchado, mas sim opiniões e posições políticas por este manifestadas.
E, diferentemente do caráter espontâneo dos linchamentos físicos, os linchamentos virtuais são instigados por líderes e influenciadores políticos, que vêem o seu poder político e econômico ameaçados por opiniões divergentes, quando não por fatos corajosamente expostos pela potencial vítima do linchamento virtual. Portanto, é através da gestão ou difusão do medo que os instigadores conseguem a adesão de indivíduo por indivíduo, que recebem acriticamente a informação e, impulsionados pelo medo, passam a compartilhá-la, julgando se tratar de questão urgente o banimento de quem estaria colocando em ameaça os valores que defendem.
Estabelecidas essas premissas, consideramos que é necessário que as empresas que gerenciam aplicativos de difusão de mensagens pela internet se comprometam, ainda que por força de lei, a estabelecer mecanismos de denúncia, de rápido acesso ao lesado, capazes de identificar a origem das mensagens e a identidade do propagador, além do bloqueio preventivo dos perfis que ameaçam não só a vítima do linchamento, mas também a democracia brasileira.