Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 24/05/2021

A vítima de um linchamento virtual geralmente “cumpre a função ritual e sacrificial do bode expiatório”, diz José Martins de Souza, professor e sociólogo, no livro Linchamentos: a justiça popular no Brasil. Em seu levantamento, Martins estima que haja no mínimo um linchamento por dia, e que, nos últimos 60 anos, cerca de um milhão de brasileiros tenha participado de pelo menos um ato ou uma tentativa desse tipo. A atitude pode ser crime, o que pode acarretar em processos tanto no campo cível, com dano moral, quanto na área criminal, como calúnia e difamação.

Nesse contexto, apesar das diferenças entre o linchamento físico e o virtual, um efeito de pesquisa, a distinção é menos acentuada: “O linchamento virtual também é real. Uma pessoa atacada tem família, vida social, não é só um avatar ”, explica uma pesquisadora da Unicamp Karen Tank Mercuri Macedo, que estudou o tema. “Acreditamos que o linchamento virtual muitas vezes acontece por falta de letramento digital. Se a pessoa não tem uso crítico da tecnologia, não buscará avaliar a fonte das informações que recebe e tem mais chances de ser um linchador ou linchado em potencial. ”

Outrossim, é válido lembrar que essa problemática muitas vezes é provocada por um dos maiores gatilhos para o linchamento: a intolerância. A intolerância é uma das bases para o ataque de grupos organizados e genericamente definidos como haters. Todos estão sujeitos aos seus determinados, especialmente se defensor alguma causa considerada polêmica. É o caso de ativistas feministas e militantes políticos, ou defensores de pautas como a legalização das drogas ou do aborto. Para Macedo, “A ideia deles seria alguns valores socialmente construídos, tidos como certos. Nessa lógica, deve-se ‘destruir’ o que pensa diferente, que seja uma ameaça aos bons costumes ”.

Portanto, fica claro que devem ser atendidas medidas no intento de amenizar esse cenário. Para isso, cabe aos Influenciadores digitais mostrarem por meio de campanhas e postagens em suas redes sociais que os linchamentos virtuais não são a melhor opção e que cada ser humano tem a sua forma de pensar, além de ser necessário também a criação de leis rigorosas aa a partir do Governo para aqueles que se propagam ao ódio pela internet. Somente assim, pode ser solucionada essa questão e finalmente o linchamento virtual será amenizado.