Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 23/05/2021
Desde os primórdios da humanidade, os humanos tendem a se sentir no direito de julgar o que é ou não é certo. A vontade de se colocar como “justiceiro” não é algo recente. A própria bíblia expõe isso quando Jesus Cristo ao ser indagado pelos fariseus, a respeito de uma mulher que seria apedrejada, pronuncia a celebre frase: “aquele que não tiver pecado atire a primeira pedra”. Esse costume humano de linchar aqueles que definem como incorretos, permanece até os dias atuais.
Segundo especialistas em psicologia da USP, a prática é apenas uma mudança digital, dado que é uma réplica da reação populacional negativa sobre as falhas cometidas por uma determinada pessoa antes da existência da internet. Porém, com a facilidade de disseminação de informações que a internet causa, a situação pode atingir níveis inimagináveis. Muitas vezes, desacertos banais causam retornos destrutivos. Para que se tenha consciência, durante o 3º trimestre de 2020, o Facebook identificou e tomou alguma ação (como remoção ou redução de alcance), em todo o mundo, em: 22,1 milhões de mensagens de ódio. O provável motivo para que tantas mensagens negativas sejam enviadas, é a sensação de impunidade causada pelas redes sociais. Muitas vezes, os usúarios não têm noção de quão nocivo pode ser o poder da palavra, eles acabam não analisando o fato de que uma outra pessoa irá ler aquilo, pois a comunicação não ocorre face a face. Porém, os efeitos são os mesmos que se fosse fora da internet.
Desse modo, ações por parte do povo e do Estado são imperiosas para amenizar o quadro atual. A população, principalmente os usúarios de redes sociais, devem iniciar campanhas contra o discurso de ódio e à discriminação na sua expressão online. Por sua vez, o Estado tem de fornecer apoio aos protestos e estabelecer projetos de lei que aumentem as penas sobre crimes virtuais que firam a integridade psicológica de qualquer pessoa.