Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 20/05/2021

Linchamentos virtuais

A constituição federal de 1988 assegura a todos o direito à livre expressão de manifestações de ideias e convicções das variadas formas, sendo elas contrárias ou não. Todavia, no contexto atual, os indivíduos desfrutam desse direito propagando episódios de intolerância nas redes sociais, evidenciando uma sociedade menos propensa ao diálogo. Por isso, se faz necessário o debate quanto a motivação aos atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual.

De início, é válido ressaltar que a própria internet é fruto da engenharia militar, usada como arma de ataque aos rivais. Sob essa ótica, é esperado que as pessoas no dias atuais gozem da tecnologia de natureza igual. Devido ao poder do anonimato que a internet pode proporcionar, muitas pessoas tendem a proferir discursos de ódio. Esses indivíduos agem com muita rapidez, uma vez que, usuários acabam se expondo demais abrindo espaço para a crítica, favorecendo casos de linchamentos virtuais. Desse modo, a exposição de ódio resulta na incapacidade do sujeito julgador de abraçar as diferenças como expressão da condição humana, assim nutrindo os mais diversos tipos de perseguições, seja virtualmente ou não.

Por conseguinte,  a gravidade desse comportamento se dá quando a tal violência chega a um extremo onde a vítima começa apresentar quadros depressivos, podendo levar ao ato da automutilação ou suicidio. Não raro, o linchamento virtual pode resultar na violência física, como foi o caso da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, assasinada em Guarujá sendo acusada de praticar magia negra e sequestrar crianças. Os rumores na internet surgiram com testemunhas falsas após ser confundida com um retrato da suposta sequestradora. No final das contas, descobriu-se que o retrato havia sido feito por policiais no Rio de Janeiro.

Diante dos fatos analisados, é necessário que o Congresso nacional em conjunto com a mídia forme leis e limites mais duros quantos os sites que vulgarizam discurso de ódio e intolerância a fim de cessar sua atuação. Além disso, as escolas em parceria com o Governo Federal e com a Delegacia Especializada em Crimes Cibernéticos devem promover palestras a fim de impulsionar a empatia entre os alunos. Nesse padrão, não resulta apenas no letramento das crianças, mas também na monitorização parental envolvendo as redes de canais.