Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 20/05/2021
Hoje em dia, cada vez mais, as pessoas tem presenciado o aumento do que é chamado, atualmente, de “linchamento virtual” ou, para os mais familiarizados, “ondas de cancelamento” que estão tendo, como terreno fértil, principalmente, as redes sociais, sendo o Twitter o principal local onde ocorrem essas práticas que consistem, basicamente, em fazer com que uma pessoa/internauta seja excluído; perca sua visibilidade; fique incapacitado de se posicionar e, nos piores dos casos, seja até mal visto, porém o pior é que não só a imagem virtual deste é “manchada”, mas como também é a sua vida social fora do campo virtual. E isso ocorre, geralmente, porque um grupo se sentiu ofendido com alguma publicação de determinada pessoa.
Como já dizia Viviane Mosé: “Nós vivemos uma nova relação de poder. A gente vive a democratização do poder, porque estamos vivendo a democratização do acesso à informação e ao conhecimento.”. Essa frase já diz muita coisa a respeito do porquê práticas como estas ocorrem nos tempos atuais, porém é preciso entender que há vários fatores envolvidos nessa questão, como, por exemplo, o fator de que a “minoria” é “oprimida” por apresentarem uma visão diferente da do grupo predominante; o fato de haver uma tela separando duas pessoas, o que faz com que muitos identifiquem o internauta do outro lado como nem sendo um ser humano; o fato de que muitos julgam sem ter o conhecimento necessário para estar fazendo tal, o que é chamado de “preguiça intelectual”, prática que muitos “aderem” por verem que um grande grupo de pessoas “pensam” de uma determinada forma, além, é claro, de que uma grande parcela destas só fazem o que fazem pelo fato de não querer que sejam excluídas de uma comunidade com a qual se identificam, na qual possuiu visões específicas a respeito de determinado tema, logo, o indivíduo perde a identidade e a autonomia para viver de acordo com pensamento dos outros. Porém há vários outros fatores ainda existentes.
Tendo em vista que essa prática não é algo que é democraticamente bem vista e que ocorre, principalmente, por causa da preguiça virtual; seria muito interessante se houvesse a promoção de algum tipo de educação ou orientação, por parte da escola e governo, para incentivar a busca apurada de informações antes de sair julgando o próximo, bem como a ampliação de relacionamentos baseados nos conceitos democráticos e éticos, pois, assim, as pessoas saberiam respeitar mais as individualidades de cada um, em vez de se sentirem ofendidas por tais e acabarem linchando aquele que compartilha a visão diferente, porque, assim como Viviane Mosé disse: “Jovens, ao invés de estarem trazendo uma democracia, na verdade, geram uma polarização na qual cada grupo carrega a sua bandeira de submissão para com os quais eles não compartilham as mesmas ideias”.