Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 21/05/2021

Você está viajando com amigos pelo interior do país. Em uma cidade, passam por um cemitério militar, cuja entrada está decorada com uma placa em que se lê “Silêncio e respeito”. Você resolve parar e posar para uma foto quebrando as “regras”: com uma mão, faz um gesto para indicar que está gritando e, com a outra, mostra o dedo do meio. Um amigo posta posta a imagem no Facebook e te marca na publicação. O que era para ser uma simples brincadeira de gosto duvidoso vira um pesadelo: a foto viraliza e você começa a receber milhares de mensagens de ódio  e ameaças de morte. Páginas do Facebook são criadas com seu nome. Poucos dias depois, perde o emprego. Nos meses a seguir, desenvolve depressão e passa a se recusar a sair de casa.

Essa história aconteceu com Lindsey Stone, uma americana que, em outubro de 2012, posou para a foto no Cemitério Nacional de Arlington, onde estão enterrados veteranos de guerra e figuras políticas importantes dos Estados Unidos. A história de Lindsey é semelhante à da personagem Clara Meades em Odiados pela Nação, sexto episódio da terceira temporada de Black Mirror — na série,  a mulher posta nas redes sociais uma foto em que simula estar urinando em um monumento de guerra. As coincidências terminam por  aí, mas as marcas do ódio virtual podem ter tanta força quanto o ataque das abelhas-drones.