Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 21/05/2021
É o que motiva esse tipo de atitude é a personificação de algum problema social. É marcado pelo princípio de que alguém pode ser o bode expiatório daquilo que a sociedade considera politicamente incorreto. Como se ele reencarnasse todo o mal e fosse uma briga entre os justiceiros e o mal, diz. A atitude pode ser crime, a depender das ofensas que forem publicadas. O que pode acarretar em processos tanto no campo cível, com dano moral, quanto na área criminal, como injúria, calúnia e difamação.
Trata-se, segundo ele, de um fenômeno sociológico de motivação conservadora e de múltiplas causas, dentre elas a perda de legitimidade das instituições de Estado, que faz com que os linchadores reivindiquem para si uma justiça própria, súbita, difusa, irresponsável, irracional, sem chance de defesa, além de definitiva e inapelável.
Além dos linchamentos físicos, de causas e objetivos já apurados por estudos como o acima citado, a sociedade agora observa um outro fenômeno sociológico, não menos patológico: os linchamentos virtuais, de causas e objetivos em sua gênese diversos dos linchamentos físicos.
Com efeito, os linchamentos virtuais, definidos em dada oportunidade pelo Superior Tribunal de Justiça, em julgado de 17/12/2013, como abarbárie típica do nosso tempo, têm em sua origem, não crimes praticados pelo linchado, mas sim opiniões e posições políticas por este manifestadas.
E, diferentemente do caráter espontâneo dos linchamentos físicos, os linchamentos virtuais são instigados por líderes e influenciadores políticos, que vêem o seu poder político e econômico ameaçados por opiniões divergentes, quando não por fatos corajosamente expostos pela potencial vítima do linchamento virtual.