Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 01/06/2021
No documentário “A Vida Depois do Tombo”, é retratada a proporção dos ataques cibernéticos à rapper brasileira Karol Conká, a qual foi eliminada com o maior índice de rejeição da história do reality show que participava. Sendo muitas vezes escoltada por seguranças, a cantora se sentia e ainda se sente constantemente ameaçada nos mais diversos âmbitos de sua vida. Apesar de ser um acontecimento de dimensões nunca imaginadas, os linchamentos virtuais têm sido cada vez mais frequentes na sociedade atual. Desse modo, faz-se necessário analisar como o endeusamento de certas figuras, somado a uma sociedade do espetáculo ocasionam os comportamentos anteriores na contemporaneidade, bem como a seriedade desses atos de violência na vida dos indivíduos.
Em primeiro plano, é importante salientar como o tratamento de certas pessoas como deuses pelo público atua na continuidade da problemática. Isso ocorre porque, ao se ter uma personalidade da mídia como favorita, praticamente todas as outras as quais digam algo - ou façam - distoantes dela são vistas como inferiores, como erradas, e, caso entre em atrito direto com a primeira, sofrerá ataques massivos de seus seguidores. Esse panorama pode ser relacionado com o conceito de totem do psicanalista austríaco Freud, para quem esse é um símbolo sagrado e respeitado por uma grande quantidade de indivíduos, e, a partir dele, são originados os tabus, os quais cerceiam a liberdade e restringem os diálogos. Ao comparar com a realidade brasileira, no mesmo programa televisivo de Karol Conká, a participante Juliette declarou frases e opiniões tão problemáticas como qualquer outro participante, mas não sofreu tanto as consequências, visto que era a predileta do público, isto é, foi desumanizada e trata como uma deusa da verdade, como um totem, a livrar-se, assim, de possíveis linchamentos virtuais.
Por conseguinte, é imperioso pontuar como a sociedade do espetáculo cristaliza a temática em questão. De acordo com o escritor francês Guy Debord, ela é mediada por imagens, pelas quais as pessoas abdicam da realidade e passam a viver em um mundo de aparências. Sob essa ótica, uma tendência notável com o aumento de ataques cibernéticos é de preferir somente os símbolos positivos, como se não houvessem defeitos e seres humanos passíveis de erros e, dessa forma, quando algum comete um deslize negativo, sofre com comportamentos violentos decorrentes da quebra de expectativa das imagens. Dessarte