Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 15/06/2021
Crime velado
Na série distópica “Black Mirror”, o episódio intitulado “Odiados pela Nação” vivencia uma sequência de assassinatos tendo como vítima pessoas que tiveram algum tipo de linchamento na Internet. Analogamente, faz-se frequente na sociedade esta perseguição virtual. Sob esse viés, o linchamento virtual é motivado pela falta de empatia e educação digital, gerando a violação dos direitos humanos e distúrbios psicossociais.
Em primeiro lugar, as ausências de educação digital e empatia em rede são problemas sociais. Acerca deste cenário, as grandes ciberempresas, impulsionadas pelo capitalismo - visando somente o lucro - negligenciam os ataques em rede, permitindo com que julgamentos e punições sejam atrações perfeitas ao discurso de ódio virtual. Assim, a cultura do cancelamento ganhou espaço no cotidiano de todos, trazendo à tona o conceito da filósofa Hanna Arendt, de banalidade do mal. Desse modo, ofensas e injúrias são compartilhadas em massa, trazendo diversos empecilhos para a sociedade atual.
Em segundo lugar, o linchamento virtual viola os direitos humanos e gera problemas psicológicos. Portanto, o direito à dignidade é ferido uma vez que há superexposição e discursos ofensivos, muitas vezes com ameaças, fazendo com que a vítima se sinta desprotegida e com medo. Como, por exemplo, os ataques virtuais que a cantora Luísa Sonsa sofreu, após seu ex marido perder o filho com a atual esposa, Sonsa foi culpada e decidiu se afastar de suas redes sociais após um ataque de ansiedade. Dessa maneira, a Internet vira um ambiente tóxico, sendo palco para terríveis crimes velados.
Torna-se evidente, portanto, que medidas devem ser tomadas a fim de educar virtualmente a sociedade e garantir a empatia em rede, para que ataques não sejam gatilhos para as vítimas. Nesse contexto, o Ministério das Comunicações, juntamente com o MEC (Ministério da Educação), deve realizar propagandas educativas, a serem transmitidas pela via televisiva e nas redes sociais do governo, a fim não só de ensinar a diferença de um comentário ofensivo e um construtivo, mas também para mostrar como o discurso de ódio é prejudicial às pessoas. Outrossim, a Delegacia Especializada em Crimes Cibernéticos deve intensificar a fiscalização de casos como os de Sonsa, e notificar os agressores de suas responsabilidades legais. Dessa maneira, o grave problema do linchamento virtual, irá deixar de ser um crime velado.