Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 28/06/2021

Entre os anos de 2010 e de 2011, insurgiram protestos, sobretudo, no norte da África e no Oriente Médio contra as ditaduras instauradas nessas regiões, os quais ficaram conhecidos por Primavera Árabe. Esse movimento teve as redes sociais como meio para a propagação dos seus ideais, o que comprova a importância da internet para a consolidação da cidadania na atualidade. Todavia, essa ferramenta nem sempre é utilizada de forma positiva, visto que os linchamentos virtuais são cada vez mais frequentes, o que é consequência de questões não apenas legais, mas também morais. Para que essa realidade não perdure, atitudes devem ser tomadas.

Um primeiro aspecto responsável pela problemática consiste na recente difusão do uso da internet pela sociedade civil.  Essa ferramenta foi desenvolvida pelos Estados Unidos, durante a Guerra Fria, com o objetivo de otimizar o diálogo entre soldados em uma possível guerra armada, o que aumentaria a acertividade dos ataques bélicos aos exército inimigos. Com o fim desse período, o uso da internet foi ressignificado e, no final do século XX, a sociedade civil passou a ter acesso ao que se tornou um meio para a obtenção de informações e para a comunicação. Os problemas sociais relacionados ao uso da internet são, portanto, recentes, e a legislação que protege os cidadãos brasileiros contra eles ainda não está consolidada, o que resulta, majoritariamente,  na impunidade daqueles que cometem crimes no meio virtual, como o cyberbullying.

Ademais, vale ressaltar que a atual cultura do cancelamento no cyberespaço corrobora a continuidade dessa questão. A rápida dispersão de ideias proporcionada pela internet, que se deve à facilidade de comunicação nesse meio, possibilita a troca de informações e a definição do que é politicamente correto, o que, combinado à referida impunidade, impulsiona ataques contra usuários que contrariam os comportamentos estipulados como positivos. Assim, essas pessoas passam a sofrer Violências Simbólicas, as quais, segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, são violências socialmente aceitas que, por isso, tendem a se perpetuar, o que agrava o problema dos linchamentos virtuais.

Faz-se necessária, pois, com o intuito de atenuar esse quadro, a ação do Estado, por intermédio do Poder Legislativo. Esse órgão deve legitimar os linchamentos vituais como crimes, por meio de medidas que agilizem a consolidação de leis de proteção aos usuários da internet ao, por exemplo, incentivar deputados e senadores ao debate do assunto no Congresso Nacional, a fim de evitar a impunidade desses criminosos virtuais. Ademais, o Ministério dos Direitos Humanos deve conscientizar a população sobre os riscos da cultura do cancelamento, mediante realização de campanhas educativas, para diminuir a aceitação social das violências simbólicas propagadas no meio virtual.