Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 16/07/2021

O programa conhecido como Big Brother Brasil, no ano de 2021, levantou polêmicas com a participação da cantora Karol Com K. Nesse contexto, ações da participante dentro do reality, levantou uma massiva campanha para sua saída do programa e também, aguçou o linchamento virtual. Menciona-se que o processo de globalização intensificou o fluxo informacional e permitiu o acesso as informações em tempo real, o que era privado torna-se público e, por consequência, o indivíduo, dentro das redes sociais tornou-se juíz, rechaçando comportamentos sob o seu crivo do correto ou não.

Emile Durkheim, conhecido como um dos fundadores do pensamento sociológico, define o que se chama de fato social. Hodiernamente, analisando os linchamentos enquanto fatos sociais eles poderiam ser classificados como o que o sociólogo supracitado chamou de anomia social. Isto é, uma comportamento que causa uma instabilidade no meio em que vivemos. Segundo dados do Instituto de Psicologia da USP, apenas no de 2020, o número de indivíduos que apresentou transtornos psicológicos ligados a intensa utilização das redes sociais, cresceu em mais de 30% se comparado ao ano anterior. Nessa conjuntura, os cancelamentos virtuais, a falta de empatia e o desprezo pela opinião diametralmente oposta, levanta os pendores fascistas.

Ademais, o número de agressões revachistas promovidas pela má utilização da internet tem crescido no Brasil. Segundo o Instituto de Pesquisas Criminais da UFMG, na região metropolitana de Belo Horizonte, o número de boletins de ocorrência motivados por agressões físicas em decorrências de discussões virtuais cresceu em cerca de 20%. Em esfera nacional, os números ainda são pouco conhecidos devido à dificuldade na contabilidade e da subnotificação. Contudo, vê-se que o linchamento virtual tem ultrapassado o debate nas redes e tornado-se uma física, permeada pela intolerância, dor e mutilação.

Portanto, urge a necessidade da intervenção do Estado, por meio do Ministério da Educação no estabelecimento de políticas públicas que visem minimizar tais demandas. Outrossim, o caso do “cancelamento” como foi visto no Big Brother Brasil, pode-se tornar modelo de como não agir na internet. Para isso, destacam-se projetos de capacitação virtual nas escolas de ensino fundamental e médio, nos quais professores da área da Tecnologia de Informação e também, psicólogos e pedagogos, apresentem disciplinas que visem tornar os estudantes aptos para estarem nesses ambientes. Além disso, cabe a criação de um canal de denúncias sobre crimes virtuais, para que o indivíduo que o cometer, por meio de devido processo legal, possa ser responsabilizado acerca dos seus atos. Assim, pode-se contribuir para a formação de sujeitos ativos e minimizar os problemas.