Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 28/07/2021
A série Black Mirror, em seu sexto episódio denominado “Odiados pela Nação”, apresenta a personagem Clara que postou uma foto em uma rede social simulando urinar em um monumento de guerra. A partir desse ato, a personagem passa por uma perseguição nas redes sociais e na vida real. Tal episódio poderia se restringir ao cinema, mas casos semelhantes estão no cotidiano brasileiro. A tentativa de linchamento virtual é em decorrência da vontade social de “fazer justiça com as próprias mãos” e isso resulta em danos à vitíma, por exemplo, depressão, ansiedade e, até mesmo, suícidio.
As redes sociais podem expor as pessoas e evidenciar erros, que em outros lugares, seriam tidos como comuns. No campo virtual, porém, ocorre um efeito manada, isto é, cria-se um alvo a ser atingido com comentários odiosos com o intuito de punir a pessoa pelos supostos crimes cometidos. Pensam-se que “a internet é terra sem lei” e que estão protegidos por um anonimato virtual. A partir disso, injustiças ou excessos são cometidos em nome da vontade social de fazer justiça. Pode-se citar o caso do cantor Gustavito, que foi acusado de estupro, em 2019, e recentemente ganhou uma ação de calúnia contra a sua acusadora. A vida do cantor foi devassada e ele perdeu contratos e teve que deixar as redes sociais devido aos constantes ataques pessoais que sofreu em decorrência desse julgamento antecipado pelos usuários. Dessa forma, o linchamento virtual se propaga devido a uma sociedade descrente nas formas legais de resolução de conflito e sedentas por punir as pessoas.
Os efeitos para a vitíma de linchamento virtual são diversos, o cantor belorizontino, Gustavito, relatou que após as acusações infundadas desenvolveu depressão. Visto que os crimes cometidos na internet produzem efeitos além do mundo virtual. A violência psicológica nesses casos é uma regra, mas, em algumas situações, ocorre também a violência física que pode resultar na morte da vítima. Um caso emblemático é o da dona de casa, Fabiane Maria de Jesus, que foi acusada em uma página de Facebook de praticar magia e sequestrar crianças. Ela foi encontrada e espancada até a morte. Dias após, soubesse que, na realidade, ela foi confundida com outra pessoa. Portanto, o linchamento virtual além de produzir efeitos danosos na saúde mental também pode resultar na morte da vítima.
Pode-se perceber, portanto, que o linchamento virtual surge de uma vontade de justiça e resulta em injustiças danosas as vítimas. Para que a erradicação desses casos seja possível, é necessário que as redes sociais, ampliem mecanismos de banimento de usuários que propaguem o discurso de ódio. Ademais, faz-se necessário que o Executivo crie campanhas educativas sobre o tema para divulgar os efeitos danosos para a população decorrentes dos linchamentos virtuais. Desse modo, os constantes casos de linchamento seriam apenas um epsódio triste e finalizado na história brasileira.