Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 30/07/2021

A consolidação da internet, a partir da terceira Revolução Industrial, transformou a comunicação mundial, interligado pessoas de diferentes partes. Contudo, esses avanços também possibilitaram o crescimento das agressões ou linchamentos virtuais. Nesse contexto, é válido analisar como o individualismo contribui para a manutenção dessa problemática que mutila a cidadania de suas vítimas.

Diante desse cenário, é importante compreender de que maneira a liquidez da sociedade motiva os atos de linchamentos virtuais. Nesse viés, na obra “Modernidade Líquida”, o sociólogo Zugmunt Bauman defende que o individualismo é uma das principais caracteríticas das sociedades modernas e, por conseguinte, a população tende a não tolerar diferenças. Sendo assim, no Brasil, essa questão assume contornos específicos, visto que a quem exija do outro o mesmo posicionamento político, religioso ou cultural e, quando isso não acontece, os linchamentos virtuais são acionados. Nesse sentido, os indivíduos são vítimas de mensagens de ódio e ameaças por falas, “posts” ou fotos que são consideradas inapropriadas por parte dos internautas, que se tornam verdadeiros “justiceiros” para provar que aquilo não pode ser feito ou publicado. Dessa forma, a melhor maneira de resolver esse problema é desmitificando o individualismo.

Aliado a isso, é necessário analisar a gravidade desse comportamento que pode comprometer a garantir de direitos constitucionais. Sob tal ótica, a Constituição Federal assegurar a liberdade de expressão como um direito fundamental. Por outro lado, segundo o geógrafo Milton Santos, em “Cidadania Mutilada” alguns direitos, apesar de serem garantidos constitucionalmente, não alcançam a totalidade do corpo social. Assim, esses cidadãos mutilados são as vítimas dos linchamentos virtuais, muitas vezes é negado a esses indivíduos o direito à defesa, com isso o acesso a liberdade de expressão é negligenciado e muitos são massacrados na internet, sem poderem ser explicar ou corrigir o possível erro. Desse modo, é importente lutar pela defesa da justiça e contra práticas errôneas, mas tudo deve envolver o diálogo entre todos os participantes.

Portanto, as escolas- pois são a principal instituição responsável pela formação de cidadãos críticos- devem, por meio de aulas e debates, discutirem com os jovens e as crianças a necessidade de lutarem contra atos injustos no ambiente virtual sempre pautado no respeito as diferenças, a fim de evitar a propagação da violência virtual. Ademais, compete à policial civil instalar investigações mais precisas, com o intuito de coibir que as pesssoas sejam agredidas virtualmente e ameaçadas sem direito à defesa. Logo, será possível garantir a liberdade de expressão a todos, como assegurar a Carta Magna.