Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 07/08/2021

No livro “Viver em Paz para Morrer em Paz”, do escritor Mario Sergio Cortella, é retratado que nem toda evolução é para melhor. Não distante da literatura, na sociedade brasileira atual, as tecnologias de comunicação obtiveram significativo avanço nas últimas décadas, entretanto, casos de violência no âmbito digital ganharam patamares alarmantes, exigindo urgência de enfrentamento. Nesse contexto, vê-se que isso ocorre tanto pela inação governamental, como também pelo falho papel social. Logo, é necessário o debate sobre o assunto.

Em primeira análise, constata-se a faltante ação do poder público frente à negativa relação entre “Fake News” e o comportamento violento dos usuários digitais. De acordo com a empresa de pesquisa CORPA, mais de 60% dos brasileiros não sabem identificar uma notícia falsa. Nesse viés, os ataques em massa à reputação de indivíduos, ocorrem, em muitos casos, injustamente, em razão do reduzido número de projetos e verbas governamentais no combate à propagação de informações ilegítimas, induzindo a população, munida dessas orientações fraudulentas, a cometerem séries de linchamentos. Dessa forma, é inaceitável que o governo desvie o foco dessa questão.

Ademais, outro fator a salientar é a errônea visão social a respeito da justiça no ambiente “Online”. Durante o Regime Militar Brasileiro, a violência era usada como arma para correção e disciplina aos opositores ao governo. No entanto, os atuais casos de agressões nas plataformas de comunicação, refletem a inversão dos papeis sociais, no qual a própria população pune as ações inadequadas de indivíduos com sessões de humilhação pública, evidenciando a hodierna degradação do pensamento crítico dentre os usuários de Internet no Brasil e a perca da “identidade humana” dos internautas, corroborando em danos psicológicos, para as vítimas, em decorrência dessas perseguições. Dessa maneira, faz-se mister a reformulação dessa postura, de forma emergencial.

Portanto, é notório a necessidade de medidas para mitigar a questão. Desse modo, o governo brasileiro, em parceria com empresas gestoras das principais mídias digitais utilizadas no país, por meio de incentivos financeiros oriundos do Tesouro Nacional, deve criar um comitê especializado em monitoramento e denúncia de notícias falsas, tendo a participação de peritos técnicos em análise de divulgações na rede, iniciando processos judiciais para esses atos, com o intuito de reduzir a incitação pública, injusta, de comportamentos violentos contra pessoas e entidades. Além disso, o Estado deve anunciar, nos veículos virtuais e televisivos nacionais, orientações a respeito da penalização e consequências sociais da prática do linchamento na Internet. Feito isso, as tecnologias de comunicação terão, de fato, uma evolução positiva.