Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 10/08/2021
A constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 5°, o direito liberdade de expressão como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual, dificultando, desse modo, a universalização desse direito social tão importante. Nessa perspectiva, esses desafios devem ser superados de imediato para que uma sociedade integrada seja alcançada.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater o linchamento virtual. Nesse sentido, pode-se destacar o descaso do governo com tal problemática, não divulgam as leis que protegem o livre arbítrio, não aumentam a segurança cibernética do país, e muito menos dão suporte as pessoas que sofrem do tal “cancelamento. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como o direito a liberdade de expressão e a segurança, o que infelizmente é evidente no país.
Ademais, é fundamental apontar a conscientização da população como impulsionador dos linchamentos virtuais no Brasil. Karen Macedo, pesquisadora da UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas), diz “o linchamento virtual é real. A pessoa atacada tem família, vida social, não é só um avatar”. Diante de tal exposto, é evidente que as pessoas se esquecem disso e agem como se pudessem julgar, inferiorizar ou atacar alguém sem o mínimo critério de direitos e deveres. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Indefere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Dessa maneira, urge que o Governo Federal concomitantemente com o Ministério da Segurança, por intermédio de campanhas e palestras, divulgue leis que protegem a segurança cibernética e a liberdade a fim de amenizar o crescimento dos “cancelamentos” virtuais. Assim, se consolidará uma sociedade mais consciente e empática, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.