Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 10/08/2021
Em julho de 2021, repercutiu o caso do adolescente Lucas Santos, o qual cometeu suicídio após sofrer linchamento virtual nos comentários de um vídeo postado pelo jovem em uma rede social. Nesse sentido, os limites entre liberdade de expressão e duras ofensas virtuais ainda não estão devidamente delimitados na sociedade, a qual precisa entender a gravidade que certos comentários podem ter ao ofender e diminuir outrem. Logo, é crucial que exista um limite entre o que é ético ser publicado na internet para evitar casos de linchamento, além de propor a reflexão das pessoas a fim de que essas evitem se posicionar de forma tão agressiva.
De acordo com o artigo quinto da Constituição de 1988, é direito de todo cidadão a liberdade de expressão. Nesse contexto, os cidadãos possuem, por meio da internet, um lugar de fala para expressarem-se sobre assuntos variados mas, no entanto, é frequente e preocupante a proporção com que comentários preconceituosos e ofensivos são publicados com o intuito de manifestar a “opinião” do indivíduo, sem que esse considere os receptores desses textos. Portanto, ao manifestar-se nas mídias sociais xingando, difamando ou promovendo discursos de ódio, o indivíduo acaba interferindo na liberdade individual de outros membros da sociedade, infringindo assim o que dita o artigo quinto e, por isso, é imprescindível que se construa um limite entre o que é ético ou não comentar virtualmente.
Ademais, é importante que se reflita até que ponto a exposição na internet é considerada saudável, visto que, o uso dessa ferramenta de forma irresponsável, pode causar problemas reais tanto ao autor quanto ao receptor das postagens. Diante disso, da mesma forma que as mídias sociais permitem a denúncia de casos de preconceito, é frequente que pessoas tenham graves consequências quando publicam ideias ofensivas e percam seus empregos ou tirem suas próprias vidas por conta do linchamento recebido pelo alcance inimaginável das publicações postadas. Nesse viés, cabe o caso do Matheus Ribeiro, jovem carioca que, em junho de 2021, foi acusado por um casal de roubar uma bicicleta e, quando expostos na internet pela vítima da acusação sem procedência, resultou na demição do casal de seus empregos, mas também gerou comentários racistas ao jovem.
Em síntese, é crucial que o Ministério da Tecnologia e Comunicações crie conteúdos, a serem divulgados por grandes veículos de comunicação, na forma de breves vídeos nas redes sociais, o quais apresentem as consequências dos casos de linchamento na internet na vida e na saúde mental das vítimas, para que esses possam levantar a reflexão sobre a gravidade desses atos. Por meio dessa ação, é possível que o Estado proporcione à população, as ferramentas necessárias para agir virtualmente de forma responsável.