Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 15/08/2021
Linchamentos virtuais
Na maioria das vezes em que a internet se volta contra alguém de forma visceral a gente perde alguma coisa. Além do bom senso, que se vai cometer casos, perdemos a oportunidade de aprofundar uma discussão. O apontar de dedo para o erro serve como ferramenta para uma discussão mais ampla, e não se tornar um tribunal fulminante que apedreja a pessoa e desintegra sua reputação.
A vontade de massacrar alguém virtualmente é a mesma que de atacar uma pessoa em praça pública - e seu efeito pode ser tão destrutivo quando apedrejar fisicamente. É claro que muitas vezes estamos decepcionados com um ídolo, indignados com a atitude de alguém ou putos com algo que nos parece muito ofensivo e se colocar pode fazer sentido.
Mas uma coisa atitude é contra argumentar e mostrar o quão escrota é uma, outra, bem diferente, é uma manobra que visa o esvaziamento total de credibilidade, é a perseguição e a difamação. Destruir a reputação de alguém não é discordância, é vingança.
E pior, atacar alguém com furor pode ter o efeito reverso e acabar deixando uma pessoa hiper-reativa, o que só cria mais um daqueles “nós contra eles” que tem marcado nossa sociedade. De um lado, multidão ataca ou réu levantado o dedo para o erro da vez. Do outro é uma pessoa e seu núcleo duro tentando arduamente mostrar que não foi bem assim.
Nessa queda de braço, ficamos apenas no rasinho do exercício, perdendo a oportunidade de nos debruçar sobre uma questão que conversam com problemas sociais amplos, como racismo, machismo e violência.Uma das diferenças principais é a perseguição, no linchamento a pessoa passa a ter seus passos todos acompanhados (online e ou off-line) e tem perdas reais devido às atitudes que ocorrem em sua direção: perde o emprego, os perfis nas redes sociais, a saúde mental, privacidade e mais um par de coisas que variam de caso para caso.