Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 17/08/2021
A Revolução Técnico-científico-informacional, iniciada na segunda metade do século XX, inaugurou inúmeros avanços no setor de informática e telecomunicações. Embora esse movimento de modernização tecnológica tenha sido fundamental para democratizar o acesso a ferramentas digitais e a participação nas redes sociais, tal processo foi acompanhado pela invasão da privacidade de usuários, em virtude do controle de dados efetuado por empresas de tecnologia. De maneira analógica a isso, os linchamentos virtuais neste prisma, destacam-se dois aspectos importantes: o que motiva tais atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual.
Lamentavelmente, é indubitável que tais atos de agressão verbal, vem de motivos como baixa autoestima, falta de controle social público amedrontado, pouca pluralidade entre outros. Desse modo, um levantamento feito pela ONG SaferNet revela o crescimento de denúncias de discursos de ódio ou intolerância na internet nos últimos dois anos. Conforme dados do relatório de denúncias da ONG, o número total de denúncias de apologia e incitação a crimes contra a vida subiu de 18.071, em 2017, para 28.084 em 2018, totalizando um aumento de cerca 55%. É o discurso de ódio mais denunciado desde 2006. Conquanto os números informam que isso não se passa de uma doença virtual.
Outrossim, é notório a gravidade que esse tipo de comportamento age sobre as pessoas dentro da Internet. Dessa forma, como diz o sociólogo Zygmunt Bauman “As redes sociais são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha.” Sendo assim, esse tipo de armadilha que é citado diz sobre o uso excessivo das redes e como amplifica emoções de caráter negativo, as quais podem afetar o seu bem-estar emocional e agravar sintomas da depressão, estresse e ansiedade.
Em vista dos fatos supracitados, faz-se necessário a descarte de medidas que venham ampliar a ação sobre esses comportamentos nas redes sociais. Sobre os linchamentos virtuais for conseguinte, cabe o Poder Judiciário e os demais órgãos que atuam no sistema de justiça que ainda estão se adaptando à nova realidade, adaptação que, por vezes, não acompanha a velocidade da informação, das comunicações e das interações na “web”, buscar cancelar um indivíduo ou um grupo que pratica um comportamento tido por repulsivo ou professa uma ideologia ou pensamento que não agrada. Somente assim, o linchamento virtual será diminuindo e as redes sociais não serão tão tóxicas.