Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 24/08/2021

A narrativa trágica “Ensaio Sobre a Cegueira”, de José Saramago, sugere ao leitor “a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam”. Ao seguir essa sugestão, como ponto de partida para fomentar discussão sobre oque motiva o linchamento virtual e a gravidade desse comportamento na sociedade atual, é necessário encarar a realidade e questionar como isso afeta um indivíduo. Assim, não há dúvidas de que é preciso analisar o comportamento que motiva esse ato, bem como refletir sobre as consequências que isso traz para o indivíduo e a sociedade como um todo.

Nessa perspectiva, é preciso ressaltar que o lichamento virtual é uma consequência, em razão dele ser motivado ou pelas caracteristicas de alguém ou seu comportamento no ambiente virtual. Aliás, não se pode negar que usar o lichamento como uma forma de reação a um comportamento inadequado é perigoso, pois esse comportamento tem consequências sérias na vida de qualquer indivíduo, desde demissões até suicídios. Em função disso, ganha força a ideia de que é preciso, parodiando a ideia de Saramago, buscar a compreensão, quando a razão deixa de ser o norte do comportamento dos indivíduos. Isso significa que, com relação à forma com que reagimos as maneiras politicamente incorretas de se agir no ambiente virtual, não é prudente mantê-las, uma vez que ao tratarmos essas situações de tal modo, permitimos que o lichamento se propague por um período de tempo indeterminado. Dessa forma, fica claro que o lichamento é, por sí só, o perigo e um comportamento viciante, uma vez que o grupo social envolvido nessa prática a propaga indefinidamente.

Além disso, convém lembrar que do dano psicológico causado ao sujeito, em virtude de todo o alcance do lichamento virtual. Inclusive, pode-se afirmar que ele tem alcance ilimitado, na medida em que as pessoas tem acesso a informações a nível global no dias de hoje. No entanto, ao lançar olhar sobre a realidade, verifica-se que os praticantes do lichamento não percebem o mal que causam, ou, como sugere Zygmunt Bauman, os atores sociais, condenados à cegueira moral, tendem a agir na irracionalidade. Vale lembrar que, nesse caso, o dano pode ser irreversível se não tratado, de modo que as sequelas seja vitalícias. Logo, constata-se que os praticantes do lichamento são inconsequentes.

Por efeito dos fatos supracitados, constata-se que o lichamento requer intervenção do Estado. Dessa forma, é imprescindível que o Ministerio da Educação desenvolva projetos como palestras e disciplinas diversificadas, com o propósito de educar as crianças a evitar o ato de lichar o próximo. Ademais, cabe ao Governo Federal a partir de uma verba orçamentária, estabelecer como meta oferecer tratamento as vítimas de lichamento, a fim de curá-las de seu trauma. Com essas iniciativas, espera-se que esses casos se extinguam.