Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 30/08/2021

“Quem me dera ao menos uma vez/ Acreditar por um instante em tudo que existe/ Acreditar que mundo é perfeito/ E que todas as pessoas são felizes”. Esses versos da canção “Índios” da banda Legião Urbana conduzem um olhar para a necessidade de acreditar que é possível mudar e que isso só depende do comportamento coletivo. Nesse sentido, pensar sobre o ato de punir o outro a partir dos linchamentos virtuais, significa refletir sobre a necessidade de desconstruir a ideia que o cancelamento é a forma correta de lidar com ações que não são bem aceitas, pois gera a falsa ideia de que pode julgar o outro, a partir de um olhar pessoal. Assim, é fundamental questionar  por que a sociedade prega tanto ódio diante das redes sociais, bem como analisar como isso impacta no organismo social.

Nessa perspectiva, é preciso esclarecer que a comunidade digital, quando não concorda com determinada atitude de certo usuário, acabam gerando uma repercussão, distribuindo ódio, agredindo verbalmente, afetando o psicológico daquele que publicou algo que não foi aceito. Isso significa olhar para a realidade e perceber que a justiça social em forma de agressões virtuais, fere mais do que progride, de modo que acaba gerando doenças como depressão, ansiedade e ataque de pânico, como o caso da cantora Luiza Sonza, que após o término do seu relacionamento com o comediante Whinderson Nunes, foi atacada com frases impróprias, perdeu um grande número de seguidores e, além disso, recebeu ameaças, como consequência precisou se afastar das redes sociais para cuidar da sua saúde mental. Dessa forma, fica claro que há falta empatia na humanidade.

Ainda nessa linha de raciocínio, outra questão pontual é o fato de que deixaram de procurar profissionais responsáveis na área da justiça, para agir com as próprias mãos, em razão de acreditarem que seus pensamentos são corretos e estão preparados para defendê-los. Nessa lógica, como afirma o sociólogo Zygmunt Bauman, é preciso rever como a sociedade tem se comportado diante das questões que envolvem as relações humanas. Isso significa que, com relação ao cancelamento, devem-se tomar providências, para que seja evitado. Diante desse contexto, constata-se que a superação dos linchamentos virtuais implica intervenções de ordem social e cultural.

Assim, é importante que os grandes portais de entretenimento devem promover ações como campanhas publicitárias, por meio de parcerias com o Governo Federal, a fim de mostrar à população a importância do pensamento empático e as consequências do ato de promover um linchamento virtual. Além disso, cabe ao Ministério da Educação implementar na BNCC uma carga horária mínima para matérias que desenvolvam especificamente o pensamento crítico, a exemplo da interpretação de texto, com intuito de diminuir o “efeito manada”.