Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 24/08/2021
Em sua obra “O Mal-Estar da Pós-Modernidade”, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman atesta que a sociedade contemporânea se desviou do projeto de comunidade como defensora do direito universal do bem-estar e passou a vivenciar a irracionalidade. Esse argumento sociológico possibilita refletir sobre a cultura do cancelamento, principalmente no meio virtual, uma vez que essa atitude tem causado medo e insegurança nos usuários de internet. Nesse sentido, é fundamental esclarecer como anonimato das redes sociais trazem mais segurança aos internautas, mas também analisar de que forma esse processo impacta nas relações sociais e nos comportamentos pessoais.
Em virtude desse questionamento inicial, sabe-se que a internet se tornou o meio de maior comunicação global, podendo ter intensa liberdade de expressão, caso não use seu nome verdadeiro no login. Inclusive, essa questão está relacionada com o linchamento virtual, visto que diversas pessoas tentam conviver com diferentes opiniões, acometendo uma punição a aqueles que não seguirem o mesmo pensamento. Nesse contexto, percebe-se que, como afirma Bauman, o agir com insensatez, diante da questão que envolve a sociedade, nota-se uma irresponsabilidade social. Dessa forma, é latente que esse cenário urge por mudanças.
Nessa discussão, outro ponto relevante são as consequências psicológicas que esses “castigos” têm causado aos jovens, sendo diversas vezes injustos e exagerados, por terem suas frases tiradas do contexto. Aliás, depressão, ansiedade, medo de sair de casa e queda da capacidade social, são alguns dos traumas proporcionados pelo linchamento virtual. Com efeito, esse quadro vai de encontro a ideia de “imperativo moral”, elaborada pelo filósofo Immanuel Kant, de que o homem deve se comportar de modo que suas ações, ao serem replicadas por todo ser racional, resultem no bem-estar geral. Contudo, ao lançar olhar sobre a realidade, observa-se o oposto do imperativo kantiano.
Diante do pressuposto, são necessárias ações que busquem minimizar esse quadro. Inicialmente, cabem aos diretores midiáticos, a tarefa de proibir o uso de palavras de ódio em seus comentários e publicações, visando diminuir a frequência de insultos. Ademais, é dever do Ministério da Educação implementar atendimentos psicológicos gratuitos em escolas públicas, visto que as vítimas dessa problemática são principalmente jovens e adolescentes, com objetivo de reduzir os impactos causados por esse fator. Implementadas essas ações, espera-se minimizar as consequências da cultura do cancelamento no meio virtual.