Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 14/09/2021

A internet surgiu durante a Guerra Fria, conflito ideológico entre Estados Unidos e União Soviética, com o intuito de garantir a comunicação entre as bases militares. Atualmente, a internet ainda possui o importante papel de conectar pessoas. Entretanto, é frequentemente usada para promover linchamentos virtuais. À vista disso, faz-se necessário analisar a principal causa e consequência desse problema, respectivamente: a cultura do cancelamento e o cyberbullying.

Nesse contexto, é notória a presença da cultura do cancelamento na sociedade brasileira, uma vez que há a constante necessidade de analisar e julgar o comportamento alheio. Logo, o cancelamento é definido pelo repúdio a determinado indivíduo ou empresa devido ao uso de termos ou pensamentos politicamente incorretos. Nesse viés, segundo Platão, filósofo da Grécida Antiga, ‘’errar é humano, mas também é humano perdoar. Perdoar é prórpio de almas generosas’’. No entanto, muitas vezes, o cancelamento gera o linchamento virtual, que se circuncreve a inúmeras ofensas pessoais e ameaças, fator que impede que o indivíduo identifique e aprenda com o seu erro. Dessa forma, torna-se claro a importância de erradicar a cultura do cancelamento no Brasil.

Além disso, o cyberbullying, isto é, assédio moral praticado em ambientes virtuais, é uma das principais consequências do linchamento virtual, haja vista que, frequentemente, o linchamento virtual tem o papel de constranger e humilhar o indivíduo.  Assim, de acordo com um levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa (Ipsos), em 2018, o Brasil ocupou o segundo lugar no ranking global de violência na internet. Por conseguinte, evidencia-se não só os impactos negativos na saúde mental do indivíduo, todavia a impunidade na internet, o que impulsiona o bullying virtual. Isto posto, é claro a importância da criação de leis para crimes cibernéticos e, portanto, acabar com o bullying virtual.

Sendo assim, diante dos fatos supracitados, urgem medidas para combater o linchamento virtual. Nessa perspectiva, cabe ao Ministério da Educação junto com o Ministério da Ciência. Tecnologia e Inovações promover debates saudáveis na internet por meio da criação de um disciplina optativa no ensino fundamental e médio, com o intuito de ensinar como agir na internet, de forma que o respeito e a empatia prevaleça no ambiente virtual. Além disso, cabe ao Poder Legislativo formular e implementar leis que visem a identificação e punição de autores de crimes cibernéticos mediante a criação de delegacias especializadas e o investimento em peritos digitais, por exemplo. Destarte, a internet deixará de ser usada para promover linchamentos virtuais.