Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 08/09/2021

Repressão, cancelamento e ameaças. Esse foi o cenário vivenciado pela cantora brasileira Karol Conká que, após uma série de atitudes rudes e imorais, sofreu o maior índice de rejeição da história do reality show Big Brother Brasil. Nesse sentido, é exemplificado o fenômeno do linchamento virtual que vem tornando-se, infelimente, muito comum no mundo atual, onde, frente a qualquer ato antiético, a repressão social é predominante. Assim, devido ao pensamento hipócrita de que os cidadãos não devem cometer falhas, as relações humanas tornam-se cada vez mais performadas.

Nesse cenário, a falsa ideia de perfeição ética inserida nas redes sociais faz com que quaisquer falhas virem motivo de ódio e opressão. Segundo o filósofo Immanuel Kant, atitudes devem ser consideradas corretas se agirem de acordo com a moral universal. Sob essa perspectiva, é possível inferir que tal pensamento extremista não permite falhas humanas, sendo extremamente utópico. Analogamente, nas redes sociais, as quais estimulam padrões perfeitos de comportamento, os espectadores julgam todas as ações de maneira hipócrita e kantiana, rejeitando com práticas radicais de linchamento virtual todas as ações que não se enquadram na ética universal. Essa realidade nefasta torna explícito que a motivação de tais reprovações exageradas encontra-se na falsa ideia de cidadãos perfeitos.

Desse modo, por conta da soberania do julgamento kantiano nos internautas, os falsos padrões éticos são ainda mais valorizados. De acordo com Guy Debord em sua teoria da “Sociedade do Espetáculo”, atualmente, vive-se uma grande performance dos estereótipos estabelecidos pela população, o que motiva a falsidade das relações sociais, pois o imagético se sobressai à realidade. Sendo assim, com medo de sofrer rejeição, os cidadãos valorizam ainda mais a realidade hipócrita defendida por Kant, criando um ciclo preocupante de mentiras e reprovações. Dessa maneira, torna-se claro que a gravidade dos linchamentos virtuais reside na necessidade de demonstrar uma perfeição ética falsa que, paradoxalmente, amplia a adoção da mesma e a rejeição.

Portanto, medidas capazes de confrontar esse ciclo de falácias e opressão devem ser tomadas. Para tal, o Ministério das Comunicações -órgão responsável por mobilizar e informar a sociedade- deverá implementar propagandas de combate à intolerância e à hipocrisia na internet. Dessa forma, por meio de proposta de Lei entregue à Câmara dos Deputados, a finalidade do projeto será barrar os ideais errôneos de sociedade perfeita e punição severa a erros humanos. Assim, essas publicidades deverão ser divulgadas em redes sociais como o Instagram, evitando que o ocorrido com a cantora Karol Conká torne-se comum no Brasil.