Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 08/09/2021

O caso do filho, de 16 anos, da cantora Walkyria Santos sensibilizou o Brasil. O garoto se suicidou após receber mensagens de ódio em uma postagem na internet. Tal tragédia, mostra a gravidade do linchamento virtual. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude de uma lacuna legislativa acoplada à falta de responsabilidade.

Em primeira análise, a carência de um projeto de lei federal que proíba o cyberbully mostra-se como um dos desafios à redução do problema. Segundo Aristóteles, a política tem como função preservar o respeito entre as pessoas de uma sociedade. No entanto, essa não tem feito seu papel, haja visto, os inúmeros discursos de ódio destilados no ambiente virtual que não são punidos como a injúria e a calúnia são na realidade.

Além disso, a cultura do cancelamento encontra terra fértil na irresponsabilidade. Nesse sentido, Kant traz uma contribuição relevante ao defender que o indivíduo deve agir apenas segundo a máxima que ele gostaria de ver transformado em lei universal. Desse modo, as pessoas deveriam pensar de forma mais empática e responsável ao fazerem um coméntario. Entretanto, essas se colocam como justiceiras que não toleram atitudes que perpassem o pensamento padrão se achando no direito de punir e não tendo noção das sequelas que suas palavras podem causar.

Portanto, inubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse problema. Como solução, é preciso que o Poder Legislativo, promulgue uma lei que puna o cyberbully. Somado a isso, para que essa legislação funcione bem na prática deve-se combater a criação de perfis fake por meio de uma exigência de documentos pessoais no ato de iniciar uma conta, bem como menores devem estar sob tutela dos responsáveis, assim todo ato que viole o bem-estar social será punido. Dessa forma, pode-se preservar o afeto entre as pessoas como Aristóteles propôs.