Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 15/09/2021

Na última década, tem-se observado a ascensão das mídias sociais como meio de se expressar e de se relacionar. Um dos motivos seria a sensação que as pessoas têm nesse ambiente de “certos valores democráticos, como a liberdade de expressão e o empoderamento do cidadão comum”

Nota-se que a Internet deu voz a vários setores da sociedade e, consequentemente, fez “ampliar as denúncias de situações de violência, promover o embate político e quebrar certos tabus”. No entanto, o ciberespaço também abriu possibilidades para que antigos conflitos sociais se popularizassem e ganhassem força, resultando em linchamentos virtuais, que são geradores de uma ideologia de destruição a grupos e formadores de estereótipos e estigmas que incitam à violência, o que motiva esse tipo de atitude é a personificação de algum problema social.

Segundo dados fornecidos pela ONG, houve um aumento de 13,4% de denúncias de ciberbullying em relação ao número de casos reportados em 2017. Alguns dispositivos computacionais dessas mídias permitem que uma postagem ganhe: status de verdade, mesmo sendo um boato ou uma montagem; proporções gigantescas de alcance, pelo comando compartilhar; punições também são mais severas, sejam elas por insultos nas próprias mídias ou problemas de ordem psicológica e social para o acusado, devido à exposição pública.

Por outro lado, alguns linchamentos virtuais têm início fora da Internet: uma cena cotidiana pode ser registrada em foto ou vídeo (por dispositivos móveis ou câmeras de segurança, por exemplo) e postada nas mídias sociais para receber o julgamento público, ou melhor, a condenação, porque nesse ambiente a lógica é inversa ao princípio da presunção da inocência. Sendo assim, as mídias sociais são, ao mesmo tempo, formadora e propagadora de violência.

Por conseguinte, a dignidade da pessoa humana, princípio fundamental da Constituição Brasileira, é desprezada pela massa linchadora, que equivocadamente acredita que a liberdade de expressão é um direito maior. No entanto, ofender a dignidade, incitar a violência ou agir com preconceito, são atitudes passíveis de punição judicial, em qualquer meio, incluindo-se a Internet.

Pelo exposto e pela latência dessa violência corroborada pela tecnologia, propor-se uma forma de justiça popular, a recorrerem à justiça institucional e como esse conflito social em larga escala vem impactando nas relações sociais contemporâneas.