Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 14/09/2021
No reality show “Big Brother Brasil” em sua 21º edição, a cantora Karol Conká sofreu várias críticas nas redes sociais por conta de suas atitudes dentro da casa, agravando ainda mais após a sua eliminação, sofrendo até ofensas racistas. Dessa maneira, percebe-se que o linchamento ganhou cada vez mais força atráves do meio digital, tornando mais fácil a propagação de ataques. Esses atos de violência ocorrem por um sentimento de justiça, buscando punir um suposto transgressor e pode ocasionar problemas psicológicos a vítima, gerando ansiedade, depressão e até suicídio. Portanto, é um entrave a ser debatido e combatido.
Cabe mencionar que o linchamento virtual ocorre devido a busca por justiça, pela vontade de penalizar o indíviduo que comete algo considerado politicamente incorreto pela sociedade. Nesse contexto, fomentado pela sensação de impunidade, o movimento ganha força seguindo o conceito de Weber, o que afirma que uma sociedade pode ser compreendida a partir do conjunto das ações individuais, sendo elas orientando-se pela ação de outros. Desse modo, gerando sequelas no ser humano atacado.
Outrossim, esse comportamento ocasiona diversos impactos na saúde emocional do atingido. Nesse cenário, em 2019 a influenciadora Alinne Araújo após o seu noivo não comparecer no dia do casamento, resolveu realizar a cerimônia sozinha, e por conta disso sofreu várias críticas em seu perfil em uma rede social, o que resultou no suicídio da jovem. Com base nisso, percebe-se que as consequências do linchamento como depressão, ansiedade, automutilação e suicídio estão presentes na nossa sociedade e não são raros de acontecer. Diante disso fica claro a gravidade do embróglio, e por isso precisa ser enfrentado.
Portanto, fica claro que a cultura do linchamento possui grande relação com as redes sociais, e que trás consigo diversas consequências ruins. Dessarte, torna-se necessário uma ação Estatal que formule leis e limites mais duros quanto à divulgação e filtragem de sites que perpetuem o discurso de ódio a fim de cessar sua propagação e atuação. Ademais, escolas juntamente com as famílias, devem inserir um debate sobre esse tema no ambiente estudantil e doméstico, por meio de palestrantes, psicólogos e especialistas, que orientem sobre como agir online, com o intuito de desenvolver, desde pequeno, a capacidade de usar tecnologias a seu favor.