Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 17/09/2021

Na obra “O grito’’, de 1893, o renomado pintor francês Edvard Munch utiliza cérebres nuances de pinceladas para ilustrar o medo nas linhas faciais do protagonista. Mais de 120 anos depois, esse sentimento se faz presente no semblante público, em razão dos linchamentos virtuais, ora pelos motivos, ora pela gravidade dos atos. Nesse sentido, destaca-se, a inconsciência julgatória e a sensação de impunidade aliada à personificação do preconceito como causas ao aparecimento de vicissitudes modernas.Logo, rever as ações  é imprescíndivel para garantir bem-estar a todos.

Sob esse viés, é importante ressaltar, conforme o pensamento socrático, os erros são consequências da ignorância humana. Nesse tocante, é válido observar, que o desconhecimento acerca do impacto das palavras e da alta proporção tecnológica influi decisivamente em comportamentos inadequados, como xingamentos abusivos. Assim, o cotidiano de inúmeros usuários faz análogo aos dados da ONU(Organizações das Nações Unidas), os quais afirmam que 85% das vítimas sofrem com doenças psicossomáticas após ataques na internet, inclusive, destes 10% tentam suicídio.

Nessa ótica, convém enaltarcer, o ideal do escritor africano do século XX, Albert Camus, que afirma se existir falhas na conciliação entre justiça e liberdade haverá intempéries de amplo alcance. Sob essa linha, a errônea sensação de imunidade das redes sociais impulsiona, cada dia mais, cidadãos martirizarem as falhas dos outros. Seguindo esse raciocínio, o cenário anônimo, concomitantemente, com as intolerâncias resultam em comentários absurdos, ainda que injúria seja crime no Brasil, além da criar uma cultura perfeccionista, na qual não há admissão de erros dos indivíduos.

Portanto, diante dos fatos supracitados, evidencia-se, uma situação lamentável e sombria para comunidade gerada por modos equivocados no meio cibernético. Então, urge das instituições formadoras de opiniões, por exemplo escolas e universidades, em parceria com ONG’s realizar palestras e debates socioeducativos para comunidade- visto que práticas coletivas têm imenso poder transformador- por intermédio de encontros semanais no intuito de explicar as consequências negativas dos julgamentos, valorizar a diversidade social e estimular a empatia. Outrossim, cabe aos Governo Federal com o conveniente auxílio da OAB(Ordem dos Advogados do Brasil) promover campanhas e publicidades específicas, por meio de reuniões a fim de esclarecer ao povo a criminalidade de certas condutas, dimensionar a abrangência da rede e fomentar a responsabilidade coletiva. Dessa maneira, a reação brilhantemente ilustrada na pintura expressionista de décadas atrás não caracterizará os rostos da população no que se trata o escarnecimento virtual, já que esse inexistirá e tão pouco seus efeitos em plena 3ª Revolução Industrial.