Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 15/10/2021

No filme norte americano " Ele é Demais" estrelado em 2021 pela netflix, a protagonista Padgett,  é uma influenciadora digital que foi vítima de linchamento virtual após quebrar padrões convencionais nas redes sociais. Por conseguinte, teve seu psicológico abalado, além de perder um trabalho importante em função do ocorrido. Fora das telas, o linchamento virtual também é um impasse latente na sociedade brasileira, que gera consequências no âmbito psicológico e profissional das vítimas. Nesse sentido, dois motores não devem ser negligenciados : a falta de empatia humana e os rígidos padrões comportamentais do tecido social.

Primordialmente, a ausência de empatia humana decorre da natureza egoísta dos indivíduos. Visto que, consoante a obra “Leviatã”, de T. Hobbes, os homens são essencialmente maus e somente um Estado forte garante uma convivência harmoniosa. Sob tal óptica, a atitude de colocar-se no lugar do outro não faz parte de suas características perversas. Dessa forma, não sentem remorso ao praticar atos de violência psicológica nas redes socias, afetando negativamente o psíquico das vítimas e, em alguns casos, a vida profissional. Assim, faz-se necessária a intervenção Estatal a fim de regulamentar esses comportamentos cibernéticos.

Além disso, os rígidos padrões comportamentais do tecido social levam a uma reação avassaladora quando se é quebrado, acarretando em castigos àqueles fora dessa “bolha social”. Nesse segmento, verifica-se que as teorias de N. Maquiavel, em “O príncipe”, são aplicáveis nessa conjuntura, tendo em vista a pressuposição de que os objetivos justificam os meios pelos quais os obtém. Desse modo, se a meta universal é que os padrões sociais sejam seguidos, manusear discursos de ódio e ameaças nos canais de comunicação são justificáveis para alcançar o desígnio. Dessa maneira, é fundamental a ruptura desses paradgmas sociais com a intenção de reduzir os linchamentos virtuais.

Destarte, com o intuito de mitigar os fatos supracitados. Urge que o Poder Legislativo atenue os discursos de ódio emitidos por internautas nos canais de comunicação, por meio da sansão de uma lei que penalize esse comportamento com detenção ou multa. Isto posto, as pessoas se sentirão forçadas a seguir a ordem bem como propunha Hobbes, reduzindo o linchamento virtual. Outrossim, torna-se imperativo que o Ministério das Comunicações modifique os rígidos padrões sociais, mediante a criação da campanha “#sejavoce” com ampla divulgação de aceitação natural dos indivíduos em suas redes sociais,  mostrando seus talentos e caractéristicas fora do comum. Sob tal perspectiva, obter-se-á uma nação em que os episódios como sofridos por Padgett não se aplicarão fora da realidade fictícia.