Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 17/10/2021

O filme polonês ‘’Rede de Ódio’’ expõe os impactos que atitudes virtuais e pessoais que tem o intuito de injuriar, prejudicar ou até mesmo trucidar um indivíduo podem causar na sociedade. Congruente ao filme, a realidade do século XXI vem sendo marcada por atos de vandalismo virtual que envolve o linchamento que, muitas vezes, são motivados por razões torpe, fútil ou até mesmo pela sensação de estar fazendo justiça. Nessa conjuntura, é impostergável a discussão sobre a falta de empatia e também a carência de leis punitivas como causa da problemática em questão.

Sob esse viés, a sociedade contemporânea tem apresentado fortes indícios de intolerância devido à falta de empatia e, geralmente, pessoas com tais características extravasam suas opiniões por meio da internet. Dessa forma, um ato que, a princípio, pode parecer inofensivo é capaz de propagar o ódio coletivo e até motivar um linchamento virtual com repercussões graves tanto para um indivíduo quanto para a sociedade. A cantora Luísa Sonza, por exemplo, foi vítima de linchamento em massa através das redes sociais, tais ataques fomentados por haters ‘’odiadores’’ e por Fake News que incitaram pessoas a fazer uma suposta justiça moral a respeito de algo pessoal da cantora. Por conseguinte, tais atitudes desencadeiam graves problemas que vão desde uma depressão, como no caso da Luísa, até um suicídio.

Outrossim, a falta de uma lei penal específica que enquadra o linchamento virtual como um delito faz com que essas atitudes ganhem força e se tornem cada dia mais comuns. Embora o linchamento abra um leque de ação que ferem os direitos à dignidade da pessoa humana protegidos pela Constituição Federal, quando se trata de uma denúncia na íntegra o ato ilícito fica impune. Nesse sentido, esse crime está apenas nas entrelinhas de outros crimes e direitos e, na maioria das vezes, os agressores se escondem atrás do anonimato, o que torna mais difícil a tentativa de punição. Destarte, a internet se torna um meio cada dia mais eficaz e seguro para a propagação do ódio, injúria, calunia e difamação mascarados de justiça social.

É necessário, pois, que medidas sejam tomadas para que o linchamento virtual, em sua totalidade, seja combatido. Nessa perspectiva, cabe a cada indivíduo uma autoanálise a fim de julgar primeiro a si próprio e suas próprias ações e assim respeitar a alteridade do próximo. Em sequência, compete ao Poder Legislativo a criação de uma lei específica que engloba todos os atos deletérios relacionados ao linchamento virtual. Conjuntamente, incumbe ao Estado maior controle sobre a internet assim como o fim do anonimato por meio de uma burocratização que não atinja a inclusão digital. Desse modo, esse crime fará parte apenas de um filme fictício e estará longe da realidade.