Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 25/10/2021

A série ‘‘Black Mirror’’, em um de seus epsódios, ilustra a temática do linchamento virtual, visto que, alguns de seus personagens, ao cometerem atos ‘’negativos’’ na internet, foram submetidos ao discurso de ódio nas redes. Sob essa ótica, nota-se que, no cenário hodierno, a sociedade brasileira é marcada pela propagação de linchamentos digitais, seja pelo modismo de espetacularizar a dor alheia ou pela retrógrada conduta humana de julgar o próximo. Logo, é fundamental que esse paradigma perigoso seja mitigado na esfera civil.

Nesse contexto, deve-se pontuar que a expansão dos linchamentos cibernéticos ocorre, em parte, pelo ‘’espetáculo’’ que essa prática causa nas redes sociais, pois é comum que cidadãos, linchados virtualmente, sejam expostos a um grande número de pessoas. Desse modo, o discurso de ódio torna-se um ‘’entretenimento’’ para a massa social que, cada vez mais, propaga esse tipo de conteúdo digital. A esse respeito, insere-se o conceito de ‘‘sociedade do espetáculo’’, do escritor Guy Debord, haja vista que o sofrimento alheio torna-se uma mercadoria que, ao ser divulgada amplamente, ‘‘diverte’’ o corpo civil e contribui para que sites de fofoca, por exemplo, ganhem engajamento nas mídias digitais. Assim, é urgente que essa mentalidade seja mitigada no país, no fito de que o sofrimento não seja mais uma forma, patológica, de diversão.

Além disso, vale ressaltar que o comportamento humano é um dos fatores que agrava a situação dos linchamentos virtuais, visto que, culturalmente, parte da esfera populacional acredita possuir o direito de julgar outro cidadão. Nessa perspectiva, o filósofo brasileiro Pondé ratifica que o discurso de ódio nas redes é fruto dessa natureza humana, muitas vezes hostil. Dessa forma, a própria cultura normatiza a prática do linchamento na internet e esse cenário repete-se em um círculo vicioso que, inclusive, pode levar os ‘’linchados’’ a uma depressão, por exemplo. Então, fica clara a importância de desconstruir essa ótica que legitima o ódio nas mídias digitais, para que esse comportamento não seja propulsor de danos à saúde mental dos brasileiros.

Portanto, é imprescindível que atos de linchamento digital sejam extirpados do país. Posto isso, cabe ao Ministério da Educação (MEC), por meio de verbas federais, criar políticas de prevenção ao discurso de ódio. Dessa maneira, psicólogos e sociólogos irão elucidar propagandas sobre os malefícios da espetacularização do ódio na internet, no intuito de romper com essa prática danosa. Ainda, o material será divulgado no Instagram, com o auxílio de influenciadores digitais, subsidiados pelo MEC. Só assim, haverá uma desconstrução dessa cultura do ‘‘julgamento’’ e situações, como as abordadas na série ‘‘Black Mirror’’, não serão tangíveis.