Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 10/11/2021
Na obra “O grito’’, de 1893, o renomado pintor francês Edvard Munch utiliza célebres nuances de pinceladas para retratar o medo nas linhas faciais do protagonista. Mais de 120 anos depois, esse sentimento se faz presente no semblante público, em razão aos linchamentos virtuais, ora pelos motivos, ora pela gravidade dos atos. Nesse sentido, nota-se a inconsciência julgatória e a sensação de impunidade aliada à personificação do preconceito como causas do aparecimento de vicissitudes modernas. Logo, rever as ações e a situação é inprescindível para garantir segurança e qualidade de vida a todos.
Sob esse viés, ressalta-se que os atos, independente da consciência do praticante, sempre culminará em impactos no cotidiano. Nesse tocante, destaca-se o pensamento socrático, o qual afirma que os erros são consequências da ignorância humana, por conseguinte, é válido observar que o desconhecimento acerca dos efeitos das palavras e da alta proporção tecnológica influi descisivamente em comportamentos inadequados, como ps xingamentos. Assim, o cotidiano de inúmeros usuários marcado por hostilidades digitais faz análogo aos dados da ONU (Organização das Nações Unidas), os quais afirmam que 85% das vítimas de zombaria sofrem com doenças psicossomáticas, como depressão e ansiedade, após os ataques na internet.
Nessa ótica, convém enaltecer o ideal do escritor africano do século XX, Albert Camus, que se existir defeitos na conciliação entre justiça e liberdade haverá intempéries de amplo alcance. Sob essa linha, a errônea sensação de imunidade das redes sociais e a ilusória cultura perfeccionista, na qual as pessoas devem-se encaixar nos padrões comportamentais exigidos, impulsionam os cidadãos martirizarem as falhas dos outros. Seguindo esse raciocínio, o cenário anônimo e ditatorial, concomitantemente com as intolerâncias, resultam em impaciência e em comentários absurdos ao próximo, por exemplo, gordofóbicos e homofóbicos. Em verdade, tais atos nocivos atestam na prática o não reconhecimento do direito de errar humano e muito menos no aprendizado empírico.
Portanto, diante dos fatos supracitados, evidencia-se uma situação perigosa ocasionada por julgamentos por meio cibernéticos. Então, urge das instituições formadoras de opiniões, como escolas, em parceria com ONG’s (Organizações Não Governamentais), mediante encontros semanais, fazer palestras para comunidade, a fim de explicar os efeitos julgatórios, valorizar a diversidade e incitar a empatia. Outrossim, cabe ao Estado, por meio de reuniões, formular publicidades ao povo no intuito de esclarecer a criminalidade de certas condutas e fomentar a responsabilidade coletiva. Dessa forma, a emoção retratada no quadro expressionista não existirá nos rostos das pessoas em pleno século 21.