Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 11/11/2021
Na obra “O grito’’, de 1893, o renomado pintor francês Edvard Munch utilizou célebres nuances de pinceladas para retratar o medo nas linhas faciais do protagonista. Mais de 120 anos depois, esse sentimento se faz presente no semblante público em razão aos linchamentos virtuais, ora pelos motivos, ora pela gravidade dos atos. Sob ess ótica, nota-se a inconsciência julgatória e a sensação de impunidade aliada à personificação do preconceito como causas do aparecimento de vicissitudes modernas. Logo, rever as ações e a situação é imprescindível para garantir segurança e qualidade de vida a todos.
Sob esse viés, ressalta-se que os atos, independente da consciência do praticante, sempre culminará em impactos no cotidiano. Nesse tocante, destaca-se o pensamento socrático, o qual afirma que os erros são consequências da ignorância humana, por conseguinte, é válido observar que o desconhecimento acerca dos efeitos das palavras e da alta proporção tecnológica influi decisivamente em comportamentos inadequados, como os xingamentos. Assim,o cotidiano de inúmeros usuários marcado por hostilidades digitais, por exemplo ameaças e julgamentos, faz análogo aos dados da ONU (Organização das Nações Unidas), os quais afirmam que 85% das vítimas de zombaria sofrem com doenças psicossomáticas, como depressão e ansiedade, após ataques na internet.
Nessa ótica, convém enaltecer o ideal do escritor africano do século XX Albert Camus que, se existir defeitos na conciliação entre justiça e liberdade, haverá intempéries de amplo alcance. Sob essa linha, a erronêa sensação de imunidade das redes sociais e a ilusória cultura perfeccionista, na qual as pessoas devem-se encaixar nos padrões comportamentais exigidos, impulsionam os cidadãos martirizarem as falhas dos outros. Seguindo essa linha, o cenário anônimo e ditatorial cibernético, concomitantemente com as intolerâncias, resultam em impaciência e em comentários maldosos ao próximo, por exemplo, gordofóbicos e homofóbicos. Em verdade, tais atos nocivos atestam na prática o não reconhecimento do direito de errar humano e muito menos do aprendizado empírico.
Portanto, diante dos fatos supracitados, evidencia-se uma situação perigosa ocasionada por julgamentos on-line. Então, urge das instituições formadoras de opiniões, tais como escolas, em parceria com ONGs (Organizações Não Governamentais), mediante encontros semanais, fazer palestras à comunidade, a fim de explicar os efeitos julgatórios, valorizar a diversidade e incitar a empatia. Outrossim, cabe ao Estado, por intermédio de reuniões, formular publicidades ao povo no intuito de esclarecer a criminalidade de certas condutas e fomentar a responsabilidade coletiva. Dessa forma, a emoção retratada no quadro expressionista não existirá nos rostos das pessoas na era contemporânea.