Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 05/03/2022
Na série “Sex Education”, da Netflix, uma personagem é linchada na internet após ter fotos íntimas expostas na mesma contra a sua vontade. É possível traçar um paralelo entre o programa e a realidade do Brasil, onde, embora existam leis com o objetivo de previnir discursos odiosos no meio “online”, esses continuam acontecendo. Diante disso, é necessário pontuar qual a importância do combate aos linchamentos virtuais e as motivações dos linchadores.
É fundamental, em primeira análise, entender que a importância de combater os linchamentos cibernéticos, deve-se, principalmente, porque, apesar de o meio virtual ser um símbolo da atual geração, ele ainda não é um ambiente acolhedor para minorias. De acordo com o Instituto Datafolha, vinte e dois porcento dos brasileiros já sofreram preconceito. Os detentores desse preconceito estão, muitas vezes, dentro das redes sociais e, realizam ataques contra grupos minoritários simplesmente por estarem ali, o que faz com que pessoas que pertencem a esses não se sintam bem-vindas ali. Considerando toda essa conjuntura, é evidente como é importante lutar contra os ataques virtuais.
Compreende-se, ainda, no que diz respeito às motivações para que os linchamentos virtuais ocorram, que a principal delas é a possibilidade enxergada pelos autores dos linchamentos de humilhar outras pessoas, mas, sem que a sua imagem seja associada a esses atos, já que a “internet” permite que se navegue de forma anonima. O que demonstra, claramente, o comportamento natural do homem segundo Thomas Hobbes, o qual afirma que a natureza humana é egoista, ou seja, quer satisfazer seus desejos mesmo que isso signifique prejudicar o outro.
Percebe-se, portanto, que a questão do linchamento virtual deve ser resolvida, visto que ela impacta negativamente na qualidade dos espaços “online” para minorias e, considerando que ela está associada ao anonimato da “internet”, é imprescindível que ocorra a ampliação do combate a esse tipo de crime. Para que isso seja feito, é necessário que o Ministério da Justiça, por meio da elaboração de um conjunto de leis, torne obrigatório o uso do Cadastro de Pessoa Física para fazer publicações em redes sociais. Tornando, assim, possível que as vítimas denunciem, ou pelo menos, identifiquem os agressores.