Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 17/08/2022
A Consituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seua artigo 5° o direito à liberdade como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não se tem reverberado com ênfase na prática quando se observa o tema, dificultando, desse modo, a universalização desse direito social tão importante. Dessa maneira, faz-se imperiosa a análise dos fatores que corroboram com essa problemática.
Em uma primeira análise, vale ressaltar que a falta de alfabetização tecnológica gera consequências como o aumento de fake news, cultura do cancelamento, entre outros. Nesse sentido, de acordo com o IBOP, o Brasil está em terceiro lugar no ranking mundial de linchamento virtual. Essa conjuntura segundo o filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do contrato social já que o Estado não cumpre seu papel de garantir direitos básicos, como a liberdade, o que é, infelizmente, evidente no país. Conforme o descrito, reitera-se a necessidade de ações governamentais para conter essa prática errônea que tem provocado opressão.
Ademais, a impunidade e o sentimento de vingança, resavalam para a violência fisíca. Nessa perspectiva, temos como exemplo o caso de Fabiane de Jesus, dona de casa, após ser identificada e acusada por um sequestro de uma criança e ter praticado magia negra, o boato começou na internet, através de falsos relatos de testemunhas, somente após ser espancada e morta por moradores locais, descobriu-se que o relato tinha sido feito no Rio de Janeiro em 2012 por policiais, em um caso sem relação alguma com o boato. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham diminuir esse empecilho. Para isso, cabe a Secrataria de Segurança Pública, ampliar suas delegacias especializadas em ataques cibernéticos como os estados de São Paulo e Paraná. Além disso, o Ministério da Saúde deve promover ações como “você importa”, a fim de diminuir a quantidade de suicídios promovidos pelo linchamento e ataques de ódio. Assim, se consolidar-se-á uma sociedade mais consciente, na qual o Estado desempenhará corretamente seu contrato social.