Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 18/08/2022

Aldous Huxley defende: “Os fatos não deixam de existir só porque são ignorados”. Tal perspectiva é verificada nos linchamentos virtuais, que demonstram como situações tão simples podem acabar virando uma grande “bola de neve” nas redes sociais, tornando vítimas indivíduos ou grupos inteiros. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um complexo problema, que se enraíza na falta de empatia e na impunidade.

Nesse cenário, em primeiro plano, é preciso atentar para a falta de empatia presente na questão. Ademais, para Bauman, os valores da sociedade estão sendo colonizados pela lógica de mercado. Tal constatação é nítida nos linchamentos virtuais, visto que a “militância” nas redes sociais se torna cada vez mais “normal”, onde muitas pessoas julgam e condenam outros indivíduos, sem medir ou analisar suas palavras, sendo movidas pelo sentimento de ódio e falta de empatia.

Além disso, a impunidade ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. Chimamanda Adiche sustenta que estereótipos limitam o pensamento humano. Tais estereótipos crescem na lacuna de representatividade que gera o linchamento virtual, já que a justiça na internet pode ser intencionada fora dos orgãos legítimos, uma vez que o exercício da denúncia ainda não é uma prática estagnada no cotidiano brasileiro. Dessa forma, para deixar de limitar o pensamento, é preciso quebrar esses padrões por meio da representação de narrativas plurais.

Portanto, urge que o problema seja dissolvido. Para isso, o Ministério da Justiça deve criar e divulgar campanhas nas redes sociais, por meio da divulgação de relatos das vítimas, de modo a reverter a falta de empatia que se instala no linchamento virtual. Paralelamente, é preciso intervir sobre a lacuna de impunidade presente na questão. Desse modo, os fatos não serão ignorados e poderão deixar de existir.