Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 19/08/2022

“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. A afirmação feita pela filósofa Simone de Beauvoir pode facilmente ser aplicada ao linchamento virtual, já que mais escandaloso do que a ocorrência dessa problemática é o fato da população se habituar a ela. Nesse contexto, torna-se evidente como causas o silenciamento midiático, bem como a mentalidade social.

Em primeira análise, o silenciamento midiático é um desafio presente no problema. Conforme o jornalista Caco Barcellos “A culpa não é de quem não sabe, é de quem não informa”. Assim, vê-se que a mídia investe em lucratividade com publicações fúteis ao invés de retratar a opressão que os usuários sofrem nas redes por expressar opiniões contrárias e os danos psicológicos causados neles.

Ademais, a mentalidade social é um entrave no que tange à questão. Segundo Chimamanda Adichie “a cultura não faz as pessoas, as pessoas fazem a cultura”. Tal perspectiva aponta para responsabilidade individual de mudar o pensamento coletivo sobre a justiça social, visto que, vários usuários acreditam que o linchamento é a única forma de corrigir alguém por seus maus atos.

Portanto, é indispensável intervir sobre o problema. Para isso, a mídia de massa deve criar um programa, por meio de entrevistas com vítimas da violência social, com o fito de expor os danos causados a eles e assim reverter o silenciamento midiático. Tal ação pode, ainda, ser divulgada por grandes perfis nas redes sociais a fim de aumentar a visibilidade. Paralelamente, é preciso intervir sobre a mentalidade social presente no problema.