Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 20/08/2022

Aldous Huxley defende: “Os fatos não deixam de existir só porque são ignorados”. Tal perspectiva é verificada no linchamento virtual, que ganha contornos específicos na internet, onde as pessoas ofende umas as outras por trás do seu anonimato. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um complexo problema, que se enraíza na falta de legislação e na falta de representatividade.

Em primeira análise, a lacuna legislativa é um fator determinante para a persistência do problema. Segundo Umberto Eco, “Para ser tolerante é preciso fixar os limites intolerável”. Nesse sentido, percebe-se uma lacuna, explicitada pela falta de una legislação adequada. Assim, sem base legal, ações de remediação são impossibilitadas, o que acaba por agravar ainda mais a questão do linchamento virtual, que pode resultar em doenças psicológicas, como a depressão.

Além disso, a falta de representatividade ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. Chimamanda Adichie alerta que estereótipos limitam o pensamento humano. Tais estereótipos crescem na lacuna de representatividade que gera os linchamentos virtuais, visto que, não há representatividade de lideranças na mídia e na política de forma suficiente para conter o linchamento virtual. Dessa forma, para deixar de limitar o pensamento, é preciso quebrar esses padrões por meio da representação de narrativas plurais.

Portanto, urge que o problema seja dissolvido. Logo, é fundamental a criação de projetos de lei que contemplem a questão de linchamento virtual, pelas comissões da Câmara e do Senado, em parceria com consultas públicas, a fim de reverter a falta de legislação. Tais consultas devem ser amplamente divulgadas nas redes sociais, para o público em geral ter acesso e se posicionar. Paralelamente, é preciso intervir sobre a lacuna de representatividade presente na questão. Desse modo, os fatores não serão ignorados e poderão deixar de existir.