Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 30/08/2022

Na obra “Os Lusíadas”, Camões narra a expansão marítima sob um viés antropocêntrico, sendo o homem causador de suas mazelas e conquistas. Nesse sentido, a realidade brasileira não entende-se como responsável pelos linchamentos virtuais e a gravidade desse comportamento. Nesse contexto, observa-se um problema de contornos específicos, como o individualismo e a ausência de debates sobre o tema.

A princípio, deve-se pontuar o individualismo presente na questão. No “Big Brother”, a Carol Konká, uma das participantes do programa televisivo ,foi linchada virtualmente devido suas atitudes serem consideradas impróprias para os telespectadores. Sob essa ótica, foi possível visualizar a falta de empatia dos cidadãos com as consequências do cancelamento, como a sensação de isolamento e exclusão social. Desse modo, evidencia-se a necessidade de comerciais que informem o limite entre liberdade de expressão e ofensa.

Outrossim, a falta de debates é outro impasse para a resolução da problemática. De acordo com o filósofo Habermas, a linguagem é a verdadeira forma de ação. Nessa lógica, para que o problema do linchamento virtual seja resolvido é necessário falar sobre ,trazer o tema à pauta. No entanto, observa-se uma lacuna de informação no que se refere ao cancelamento que não é discutido nas instituições de ensino e nas redes sociais. Assim, sem diálogo sério sobre o assunto, sua resolução é impedida.

Portanto,tais entraves devem ser solucionados. É fundamental que a mídia, órgão responsável por divulgar a informação, conscientize os brasileiros sobre o limite entre a liberdade de expressão e a ofensa, por meio de comerciais informativos nas emissoras de televisão e nas redes sociais, a fim de informar e incentivar o exercício da empatia para que o linchamento deixe de fazer parte da realidade dos internautas . Dessa forma, a partir dessas ações espera-se promover a construção de um Brasil melhor.