Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 26/08/2022

Embora a Constituição Federal de 1988 assegure o acesso à dignidade humana como o direito de todos os cidadãos, percebe-se que a realidade brasileira vigente difere do que a Carta Magna prevê, visto que os cuidados com o linchamento virtual não tem sido efetivamente tomados, refletindo o triste paradigma brasileiro, dado que não há o cumprimento dessa garantia. Dessa forma, fatores como a negligência governamental e a intensificação da tecnologia propagam esse óbice pelo âmbito nacional.

Primeiramente, é relevante abordar a ausência de medidas governamentais em não tratar o tema como questão de prioridade. Sob essa ótica, o número de denúncias de linchamentos nas redes sociais têm crescido cada vez mais no país. No entanto, a justiça brasileira falha em investigar e punir tais crimes, de forma que os “haters” se multipliquem devido à sensação de impunidade. Consoante a isso, o filósofo Jonh Lock afirma que há uma violação no “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre o papel de garantir que todos os cidadãos gozem de seus direitos imprescindíveis, como o direito a saúde. Evidencia-se, portanto, que é inadmissível a ineficácia estatal diante da problemática.

Além disso, é notório que a intensificação dos meios de comunicação possibilitou um maior alcance de expor qualquer comentários nas redes sociais. Sob esse viés, de acordo com o jornal Folha de São Paulo, um adolescente suicidou-se após receber diversos ataques na internet por assumir a sua bissexualidade. Nessa lógica uma parcela da sociedade é impedida de ter acesso ao seu livre-arbítrio devido ao linchamento virtual, impulsionando a busca incansável pela perfeição, resultando em doenças como depressão e até mesmo em mortes, fato que impede a dignidade humana.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Poder Público deve investir em fiscalizações eficazes para reduzir a violência nas redes. Ademais, as Mídias, incumbidas por moldar a opinião do público, por meios virtuais, como o Twitter, devem estabelecer debates acerca da importância em expor relatos de agressão na internet, e não silenciar a situação, com o intuito de realizar a proposta feita pela Magna Carta e garantir a dignidade do cidadão.