Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 07/09/2022
O artigo segundo da Declaração Universal dos Direitos Humanos assegura a isonomia de direitos a todos os cidadãos. Nesse sentido, esperava-se que o Brasil, como um país signatário, fundamentasse essa disposição na sua sociedade. No entanto, a existência de linchamentos virtuais mostra uma ideia oposta a esse fato. Diante dessa perspectiva, cabem avaliar os fatores que favorecem esse quadro.
Em primeiro plano, é fulcral salientar que a filósofa Hanna Arendt, em seu livro “Banalidade do mal” refletiu sobre o processo de massificação social, onde todos os indivíduos possuem o mesmo padrão de comportamentos. Com efeito, quando se fala sobre o linchamento virtual, é fácil perceber que ideia defendida por Hanna tem total relação com a temática, já que as pessoas tornam o espaço virtual em um verdadeiro tribunal, onde os juízes se escondem através de perfis falsos e julgam se determinada atitude ou post deve ser cancelado ou não. Logo, nota-se que o Estado, como detentor do dever de conscientizar sua população sobre seus direitos e deveres, mostra-se indiferente em relação à problemática.
Ademais, é fulcral pontuar a ideia da Indústria Cultural de Adorno e Hockheirmer, filósofos da Escola de Frankfurt, que afirmavam que as mídias usavam as pessoas como massa de manobra. Com efeito, os pensadores denunciavam que a padronização de gostos, desejos e comportamentos era prejudicial e que ocasiona problemas como os percebidos na atualidade, onde os linchamentos virtuais se tornou algo comum, e as pessoas se sentem no direito de ditarem o que é certo ou errado, por meio da divulgação massiva de vídeos e fotos , e até chegando no nível de xingamentos e ameaças para a vítima. Desse modo, é notório que a má influência midiática é uma das causas do problema e precisa ser combatida.
Depreende-se, portanto, a urgência de novas medidas para reverter o impasse no Brasil. Para isso, a mídia deve criar um projeto que vise informar a população sobre os efeitos dos linchamentos virtuais. Isso deve ocorrer por meio de propagandas televisivas e de reportagens, com a participação de profissionais competentes e membros da comunidade, a fim de garantir os direitos dos indivíduos prejudicados e mobilizar a população. Dessa maneira, será possível que o problema seja gradativamente minimizado no País.