Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 09/09/2022

“Sei que você gosta de ouvir os aplausos, mas gosta muito mais de me ver san-grando”. Esse trecho da música cantada por Gloria Groover faz uma crítica ao julga-mento em massa e o sádico prazer na humilhação do outro, personificação do lin-chamento virtual, uma prática cada vez mais comum na sociedade contemporânea. Nesse sentido, cabe analisar o que motiva essa problemática e as suas consequên-cias no cenário brasileiro.

A priori, é oportuno afirmar que o revés é motivado pela falta de empatia social. Sob essa óptica vale ressaltar que Hannah Arendt, filósofa alemã, desenvolveu o conceito conhecido como “Banalidade do mal”, ou seja, um mal que virou comum de ser praticado. Tal concepção se aplica a conjuntura hodierna, uma vez que os boicotes virtuais foram naturalizados como uma forma de punir o que é conside-rado moralmente errado, mas, que na verdade, tem uma face intolerante e opres-sora que se caracteriza por um comportamento excludente no meio virtual onde as vítimas sofrem um julgamento em massa pela falta de empatia social.

Outrossim, pode-se estabelecer como consequência do empecilho os impactos às vítimas dessa cultura do cancelamento. De acordo com Jean Paul Sartre, filósofo francês, “A violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota”. Nessa perspectiva, as mensagens de ódio e os julgamentos virtuais se apresentam como uma forma de violência psicológica, que podem acarretar em enfermidades mentais, como depressão e ansiedade, e em exclusão social devido a humilhação digital sofrida. Diante dos fatos apresentados, é imprescindível uma ação do Estado para mudar essa realidade.

Portanto, medidas são necessárias para mitigar os linchamentos sociais na socie-dade brasileira. Logo, cabe ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Hu-manos, responsável, sobretudo, pela defesa dos direitos humanos e formulação de políticas públicas de inclusão social, promover uma divulgação sobre o tema, suas causas e seus malefícios, por meio de postagens nas redes sociais e propagandas na televisão, a fim de amenizar os boicotes virtuais e seus impactos. Feito isso, a música de Gloria Groover não representará mais uma realidade brasileira.