Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 08/09/2022
De acordo com o Sartre, filósofo francês, cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois este seria livre e responsável. Entretanto, na internet, a liberdade incita nos indivíduos, diversas vezes, discursos de ódio que resultam em linchamentos virtuais. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: a falta de empatia do corpo social e a impunidade que estimula tal atitude.
Em primeira análise, evidencia-se uma sociedade altamente individualista e insensível. Sob essa ótica, Zigmund Bauman sustenta a teoria da Mordernidade Líquida, em que as relações sociais são supérfluas, maleáveis e fugazes, pautando-se no egoísmo do homem. Dessa forma, durante a interação nas redes, o cidadão julga e condena o próximo, além de incentivar que os demais repliquem tal violência, visto que a comunidade, que não cria verdadeiros vínculos afetivos e não se importa em mantê-los, toma atitutes impulsivas em busca de validação.
Ademais, é notório o impacto direto da ausência de leis punitivas para destiladores de ódio cibernéticos, dado que isto impulsiona o número de casos. Por esse ângulo, Aristóteles afirma que a base da coletividade é a justiça. Consoante a isso, a carência de uma regulamentação eficaz voltada para proteção das vítimas no âmbito virtual e o fato de a denúncia não ser uma prática cristalizada no cotidiano brasileiro, fazem com que a cidadania não seja exercida de modo pleno.
Em virtude dos argumentos apresentados, depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham conter atos de violência na internet. Dessa maneira, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da Justiça, realizar a criação de um projeto de lei pelo Congresso Nacional, que penalize agressores virtuais através de multas e do pagamento de indenizações à vítima, a fim de garantir o amparo à parte lesada pela ação do réu e desse modo, desencorajar o prosseguimento de discursos de ódio e do linchamento nas redes de comunicação, além de estimular a empatia. Somente assim, o ambiente online se tornará mais seguro e harmônico, possibilitando que a concepção de Jean-Paul Sartre seja verificada na realidade brasileira do século XXI.