Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 15/09/2022

O ensaio “A Sociedade em Rede”, escrito por Manuel Castells, propõe uma análise acerca da organização social no ambiente digital e como o meio tecnológico apenas potencializou as interações humanas já existentes. A investigação do pensador, nesse sentido, pode ser facilmente aplicada aos linchamentos virtuais, uma vez que o comportamento do “tribunal da internet” pode ir contra opiniões. Nesse prisma, não só o ambiente mais propício, como também a cultura do cancelamento aprofundam essa situação.

Preliminarmente, no meio virtual a falta de contato físico faz com que os agressores sentem-se “protegidos” por trás das telas e emitem opiniões e comentários que provavelmente não fariam pessoalmente. Sob essa ótica, os reality shows impulsionaram o ódio coletivo disseminado pelas redes sociais e trouxeram à tona diversos debates sobre os limites do cancelamento, de acordo com site de notícias, CNN Brasil, o ano de 2021 foi marcado como um dos períodos em que mais se cancelou pessoas famosas. Dessa forma, exemplificando essa problemática, a cantora Karol Conká foi eliminada do reality Big Brother Brasil com 99% dos votos, uma rejeição histórica, jamais vista na história do programa que tem mais de 20 anos de exibição.

Além disso, observa-se como o comportamento midiático solidifica os preconceitos acerca dos transtornos mentais, mensagens de ódio, ameaças, ataques a familiares e ofensas sem limites são atos que podem refletir na integridade e comodidade das vítimas. Desse modo, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirma, “na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte”. Consoante a isso, a abordagem superficial do assunto pela mídia distancia da coletividade os problemas de saúde mental e leva à morte literal dos sujeitos acometidos por essas doenças.

Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham conter o lichamento virtual. Dessa maneira, cabe aos representantes das redes sociais juntamente com os Ministérios da Saúde e Comunicação criar um projeto para a conscientização e reeducação dos usuários, por meio da divulgação de conteúdos nas próprias redes sociais, afim minimizar os danos da cultura do cancelamento e informar sobre a comunicação virtual positiva.