Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 15/09/2022

Há oito anos, em 2014, a dona de casa Fabiane Maria de Jesus foi agredida até a morte após ser confundida com um retrato falado postado na conta do Facebook “Guarujá Alerta”. A vítima foi linchada como uma sequestradora de crianças e praticante de magia negra, os boatos nas redes sociais foram o estopim para que moradores fizessem “justiça” com as próprias mãos e assassinassem a inocente mãe de duas crianças. De maneira análoga a isso, os linchamentos virtuais, suas motivações e a gravidade de tais atitudes tornam-se uma forte preocupação na sociedade atual. Nesse prisma, destaca-se a incapacidade da contemporaneidade em lidar e utilizar as redes sociais como ferramenta para expressar seus posicionamentos.

Em primeira análise, evidencia-se que a participação quase indispensável da internet no cotidiano da sociedade moderna não é a grande culpada pelo linchamento das pessoas por suas atitudes. Apesar do mundo online ser responsável por uma democratização do poder e da expressão do pensamento dos indivíduos, a crítica e massacre à sujeitos que cometem eventuais erros é um comportamento quase natural dos humanos. Sob essa ótica, com referência à frase do médium e psicólogo Luiz Gasparetto, “Os padrões negativos vêm de ideias erradas que a gente abraçou.”, os padrões negativos presentes no abuso das redes remetem às ideias e comportamentos críticos anteriores à internet.

Dessa forma, quem deve ser responsabilizado pelos linchamentos virtuais recorrentes na atualidade não deve ser o meio, a internet, e sim o agente mal educado, aquele por trás da tela. Consoante a isso, torna-se notória a falta de cognição (capacidade de processar informações e transformá-las em conhecimento) da contemporaneidade em compreender que o virtual é real e que o anteparo criado pelas redes pela possibilidade da anonimidade não cancela o fato de que o receptor das mensagens nas redes é, também, um ser humano.

Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham amenizar o linchamento virtual como comportamento natural na sociedade atual. Dessa maneira, é necessário que a mídia ensine como a consumi-lá corretamente e que os próprios cidadãos eduquem-se, por meio de campanhas que promovam a compreensão do nível de responsabilidade envolvido na utilização da internet e maneiras de assumir uma postura ética, a fim de que as pessoas reflitam antes de se posicionarem e criticarem virtualmente. Somente assim, tristes casos como o da Fabiane Maria de Jesus não serão tão comuns e banalizados.