Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 18/09/2022

O fazendeiro americano William Lynch ficou famoso por comandar um tribunal privado que julgava e punia criminosos. Seu sobrenome deu origem ao verbo “lynch”, que foi traduzido para o português como linchamento, ou seja, a violência cometida por uma multidão contra uma pessoa com o intuito de puní-la. Atualmente, essa prática se adaptou ao meio digital, sendo necessário analisar os fatores que motivam essa conduta, bem como os desdobramentos advindos dela.

Em primeira análise, convém ressaltar que o anonimato propiciado pelo ambiente digital facilita a fomentação de mensagens de ódio com o intuito de linchamento. Nesse âmbito, Luiz Valério, autor do livro “Discurso de Ódio nas Redes”, afirma que os indivíduos acreditam que a tela do aparelho eletrônico cria uma proteção que, por sua vez, gera um aval implícito para desrespeitar terceiros sem que haja consequências. Por conseguinte, a sensação de impunidade atua como propulsor para que alguns internautas participem dessa violência virtual.

Ademais, é imprescindível perceber que o linchamento acarreta em consequências fora do mundo virtual. Nesse sentido, a cantora brasileira Luísa Sonza foi vítima de linchamento virtual após suposições de que ela teria traído seu ex-marido. A artista revelou que os comentários ultrapassaram a internet e que ela foi acometida por violência verbal presencialmente, além de ter sentido medo de ser atacada fisicamente. Esse cenário demonstra a imperatividade de atuar na conscientização da população a fim de que situações como essa não se perpetuem.

Portanto, indubitavelmente, ações são necessárias para amenizar o imbróglio supracitado. Sob essa perspectiva, cabe ao Ministério da Educação planejar para que ocorra palestras acerca de problemas sociais existentes no mundo digital, como o linchamento virtual. Por meio de rodas de debate, deverá ser discutido o uso indevido do anonimato para propagar ódio digitalmente, além da forma com a qual os comentários e postagens nas redes sociais podem gerar violência fora das redes, colocando em risco a integridade física do atacado. Assim, o tribuinais privados, como o de William Lynch, ficarão no passado.