Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 25/10/2022

A série britânica “Black Mirror” revela, em um de seus episódios, como postagens e mensagens de ódio incentivaram robôs guiados a assassinar uma figura pública e realizar a “justiça popular” nas redes sociais. Análogo a isso, o linchamento virtual traz consequências tanto para quem sofre quanto para quem pratica, além de afetar as esferas educacionais, sociais e políticas do país. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro.

Nesse viés, vale ressaltar a importância da internet como fonte de informação e expressão, dando voz àqueles que por muito tempo, não puderam opinar nos eixos histórico-culturais do país. Porém, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, em “modernidade Líquida”, ao mesmo tempo que as plataformas oferecem a oportunidade de liberdade, também geram um constante estado de julgamento e falta de empatia, desencadeando comentários, textos e ações exclusivos e ofensivos. Assim, verifica- se que, apesar das redes sociais serem uma ferramenta que incentiva a participação, os linchamentos virtuais são uma realidade que ofende, prejudica e ignora a diversidade e o respeito.

Outrossim, a noção de “justiça com as próprias mãos” ganha força no meio digital e estimula atitudes violentas e repressivas, as quais raramente têm consequências na vida real. Segundo o filósofo Michel Focault, na obra “Vigiar e Punir”, a sociedade atual,além de praticar o monitoramento constante dos “malfeitores”, também utiliza-se de todas as maneiras de punição e exclusão social, tornando inviável a reabilitação ou a aceitação do “criminoso” em sociedade. Logo, é inaceitável que essa prática continue acontecendo, visto que gera consequências emocionais, psicológicas e físicas nas vidas das vítimas e perpetua uma maneira impiedosa de julgamento e punição coletiva.

Portanto, Estados e Municípios devem mudar a realidade da prática de linchamento virtual no Brasil. Desse modo, o Ministério da Educação deve realizar projetos que ensinem boas práticas de uso e expressão nas redes sociais, prezando pelo respeito e cordialidade. Além disso, as prefeituras, por meio da criação de canais de denúncia virtual, devem estimular a população a reportar práticas abusivas, visando evitar o ódio na internet. Posto isso, o país será melhor.