Lixo e cidadania: “Pensar globalmente, agir localmente”.
Enviada em 04/09/2019
“Inteligência é a habilidade das espécies para viver em harmonia com o meio ambiente.” Essa frase de Paul Atson, cofundador da ONG ambiental Greenpeace, expressa a importância da sustentabilidade para o contexto contemporâneo. Entretanto, no atual cenário brasileiro, a questão do excesso de lixo é um problema recorrente que gera danos à natureza. Tal fato decorre, sobretudo, das práticas consumistas exacerbadas e das poucas medidas do Poder Público e da sociedade civil para descarte correto e atenuação dessa problemática, o que constitui um entrave para todo o âmbito social.
É válido ressaltar, de início, que o consumo desenfreado gera muitos rejeitos, os quais muitas vezes não são reaproveitados, o que aumenta a quantidade de lixo. Na década de 1960, com a ascensão do modelo toyotista de produção, diante de influências publicitárias e de um ciclo de obsolescência programada, a compra de bens desnecessários e pouco duráveis tornou-se comum, os quais eram exigentes em sua troca regular. No limiar do século XXI, a situação é análoga, e a aquisição de produtos de maneira desenfreada resulta em um descarte rápido e intenso. Desse modo, paralelo a pouca educação e consciência sobre a importância da reutilização desses recursos, o resultado é a falta de espaço para abrigar todo o lixo produzido.
Convém analisar, também, que a ausência de medidas do Estado para reduzir o excesso de rejeitos é consequência da má gestão pública. Nesse viés, a falta de verbas para o investimento em criação de aterros sanitários, e projetos de incineração, gera falta de opções viáveis para o descarte, o qual é, muitas vezes, realizado de forma inadequada. Prova disso, são dados do jornal El País que indicam que a maior parte dos resíduos vão para lixões a céu aberto, em que liberam chorume e contaminam o solo e os lençóis freáticos. Além disso,apesar de ser papel do ser humano contribuir para a formação de um mundo sustentável, muitos cidadãos não executam alternativas básicas de coleta seletiva e reciclagem, pois em razão da ausência de informações e incentivo escolar e social, desconhecem, por exemplo, o que cada cor na lata de reciclagem representa e como reutilizar determinados produtos.
Evidencia-se, portanto, que o excesso de lixo no Brasil é um obstáculo para o avanço social. Cabe ao Ministério da Educação formular medidas de educação ecológica e incentivo à execução dos 3R’s: Reduzir, reutilizar e reciclar. Para isso, deve por meio de aulas, debates e palestras nas instituições educacionais informar e estimular a reflexão e discussão sobre a produção e destinação do lixo. Outrossim, os Governos Estaduais devem investir na formação de incineradores e aterros sanitários. Isso deve ser feito em parceria com tecnopolos e núleos tecnológicos especializados nesse meio, em que se destine uma parte dos impostos arrecadados a esse objetivo. Assim, o problema será atenuado.