Lixo e cidadania: “Pensar globalmente, agir localmente”.

Enviada em 15/06/2020

Em sua obra “Tribos Morais”, o psicólogo Joshua Greene propõe que o cérebro apresenta um comportamento dual, esse pode ser automático, movido por impulsos, ou mecânico, fruto de reflexão. Entretanto, por vezes, o comportamento automático pode ocasionar sérias consequências, a exemplo do descarte irregular de lixo em via pública, algo que, sem dúvidas, é inapropriado, mas mesmo assim é praticado decorrente de uma impulsividade momentânea. Diante disso, é de suma importância cessar essa problemática inconsequente por ela tanto gerar impactos ambientais, quanto representar uma conduta antiética.

Em primeiro lugar, é válido salientar que o descarte inapropriado do lixo desconsidera o meio ambiente como fundamental para existência de todos os seres. Nesse sentido, o sociólogo Edgar Morin defende como imperativo se sentir solidário com o planeta, uma vez que esse condiciona a vida humana. À vista disso, é plausível inferir a inexistência dessa solidariedade imperativa quando os resíduos das atividades humanas no meio não recebem o destino apropriado. Isso, infelizmente, polui em demasia áreas urbanas e naturais, além de prejudicar espécies da fauna e da flora. Sendo assim, é inadmissível assistir a essa conjuntura de maneira inerte, visto que esse ato de puro egoísmo que provoca distúrbios na salubridade da Terra e, consequentemente, dos seres vivos incluindo os próprios humanos.

Em segundo lugar, vale frisar a carência de ética ao descartar lixo de forma irregular nos locais públicos. Nesse viés, o jornalista Clóvis de Barros afirma: “ética é a inteligência compartilhada a serviço do aperfeiçoamento da convivência humana”. A esse respeito, é pertinente interpretar a ausência desse conceito em práticas que ignoram o bem comum e retrocedem as normas de convivência, a exemplo da prática de jogar os rejeitos em qualquer espaço, sem a menor preocupação com os danos futuros à sociedade provenientes desse descarte impróprio. Assim, por romper princípios éticos e simbolizar o desprezo pelo patrimônio comum e pela vivência em harmonia, deve-se interromper essa atitude lamentável para o bem da coesão social.

Por conseguinte, é imprescindível medidas que impeçam a perpetuação desse hábito. Para isso, as prefeituras devem ratificar a poluição das vias públicas como transgressão das normas de convivência coletiva para que assim ocorra punição legal de pessoas flagradas cometendo esse delito. Isso pode ser feito por meio da parceria com o governo estadual, o qual subsidiará recursos para projetos de fiscalização, como formação de equipes- as quais serão responsáveis por abordarem, notificarem e multarem indivíduos que descartaram o lixo de forma inadequada- compostas por garis, policiais militares e guardas civis, além do fornecimento equipamentos de segurança para os profissionais. O efeito disso será a redução do descarte inapropriado do lixo devido à vigilância governamental efetiva.