Lixo e cidadania: “Pensar globalmente, agir localmente”.
Enviada em 07/07/2020
Há muito tempo se discute o tema “educação ambiental”. Fala-se em escolas, faculdades, nas mídias e até mesmo no setor tecnológico, tendo esse as melhores soluções a para o lixo. Contudo, de acordo com o Banco mundial, o Brasil é o 4° maior produtor de lixo plástico do mundo, sendo 91% coletado e, apenas 1,28% reciclado. Isto é, as medidas teóricas de saneamento e cuidados com o lixo tem crescido, mas não tem sido acompanhadas com as práticas para solucionar essa mazela. Discute-se, portanto, lixo e cidadania: pensar globalmente, agir localmente.
Para começar, é necessário discutir os extremos contemporâneos. De um lado, a tecnologia surpreende pelas inovações. De outro, o comportamento humano está estagnado numa cultura de valores distorcidos, comprovando a teoria de Ortega y Gasset, sobre quanto mais desenvolvida a sociedade, maiores os problemas. As causas são diversas: concentração da população nas cidades, industrialização e consumismo. É fato que a sociedade rompeu com os ciclos da natureza, que, obviamente, não acompanha o ritmo de consumo da população. Exploram muito, produzem muito, acumulam muito, entretanto, não solucionam muito. De acordo com o Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), 99% dos produtos comprados são jogados fora em 6 meses, evidenciando a falta de conscientização e o consumismo exacerbado.
Consequentemente, o indivíduo e a natureza sofrem com a negligência em relação ao lixo. Além da poluição visual, das doenças e enchentes; quando ocorre a saída do chorume, as águas e o solo são contaminados, e esse, perde sua produtividade. Ademais, o acúmulo de matéria orgânica, como ocorre nos lixões, emite o metano (CH4), um dos gases responsáveis pela intensificação do efeito estufa e do aquecimento global. É imprescindível citar que, existem sim muitos aterros sanitários que fazem os procedimentos corretos, porém, ainda assim, lixões ainda são comuns em regiões mais pobres, como parte do Nordeste.
Fica evidente, portanto, que a displicência com o lixo configura-se como um problema na sociedade atual. Discute-se muito a respeito dos “3R’s”, mas, como colocar em prática? A redução pode ser feita pela conscientização individual, com o auxílio da mídia como difusora do conhecimento, incentivando as pessoas a comprarem somente o necessário, para jogarem menos produtos fora. A natureza trabalha em ciclos, “nada se perde, tudo se transforma”, então, para reutilizar e reciclar, o poder público deve investir em locais de reciclagem, gerando empregos, e, reutilizar a matéria orgânica para fazer o biogás e a compostagem (fertilizantes naturais). Desse modo, o chamado “desenvolvimento sustentável” não ficará somente nos livros, e, a ideia de um planeta melhor não será somente uma utopia.