Lixo e cidadania: “Pensar globalmente, agir localmente”.
Enviada em 28/10/2020
Inércia é uma lei da física a qual um corpo tende a permanecer em repouso ou em movimento retilíneo, a menos que haja uma força externa sobre ele. Desse modo, podemos observar o estado de inércia que se encontra a sociedade brasileira na manipulação do lixo, movendo-se na direção contrária à de um futuro sustentável. Portanto, a falta de investimento em práticas corretas de descarte e o consumo irresponsável da população contribuem para a problemática.
A priori, deve-se inferir a respeito da ausência de incentivo na adoção de práticas sustentáveis no descarte de resíduos. O químico francês Lavoisier afirmava: “Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma“. Isto posto, fica claro que os resíduos não podem simplesmente sumir, contudo, podem ser reaproveitados através de processos químicos e físicos. Entretanto, segundo o IBGE o Brasil recicla apenas 3% do seu lixo, sendo assim, o país além de possuir pouco investimento para pesquisas internas a respeito de práticas inovadoras de descarte, ainda permanece atrasado em aderir a práticas existentes.
Outrossim, o consumo desenfreado por parte da população funciona como catalisador para o problema. Segundo o escritor inglês George Orwell: “A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa“. Em vista do referido, é notório o poder que a marca detém nas decisões do cidadão. Deveras, nas mídias sociais vemos o compartilhamento de dados dos usuários para empresas que, por sua vez, utilizam-se de propagandas personalizadas de modo a tornar a venda de seus produtos garantida. Por conseguinte, os indivíduos são condicionados a consumir produtos de forma irracional e, assim, prejudicam em duas vias o meio ambiente: através da obtenção de recursos para a fabricação da mercadoria e, posteriormente, no seu descarte.
Diante dos fatos supracitados, é de suma importância desenvolver o descarte sustentável dos resíduos sólidos. Para isso, é papel do Ministério da Ciência o desenvolvimento estatal de pesquisas relacionadas ao reaproveitamento do lixo e seu descarte, além de incentivos fiscais para empresas e cidades que descartam seu lixo corretamente, a fim de desenvolver na sociedade o hábito de cuidar melhor do lixo. Além disso, é papel das grandes mídias em consonância com o governo federal a adoção de campanhas que visem conscientizar a população sobre o consumo consciente e sobre a exploração das propagandas, com o intuito de gerar o senso crítico da população e garantir seu livre-arbítrio. Só assim, faremos com que a manipulação do lixo ande na mesma direção do avanço da nação.